PIB tem melhor desempenho desde 1994
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terça-feira, 01 de março de 2005
Janaina Lage<br>Folhapress 
Rio de Janeiro - A economia brasileira teve um crescimento de 5,2% em 2004, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é a maior expansão desde 1994, ano do início do Plano Real, quando o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas por um país) acumulou alta de 5,9%. Segundo economistas, indústria, exportações e recuperação do mercado doméstico tiveram papel fundamental na retomada do crescimento econômico.
No último trimestre do ano passado o PIB cresceu 4,9% em relação ao mesmo período de 2003. Em relação ao terceiro trimestre de 2004, no entanto, a alta foi de 0,4%. Embora o resultado represente desaceleração em relação aos trimestres anteriores, ainda é melhor do que a esperada. No fim do terceiro trimestre, a expectativa do Banco Central era de que nos últimos três meses do ano não houvesse nenhum crescimento após um período de forte expansão econômica.
A revisão dos dados de produção industrial, no entanto, exerceu forte impacto sobre a avaliação do cenário econômico no fim do ano passado. Ao invés de estabilidade, os números mostravam crescimento sobre uma base mais fortalecida e em um ambiente de juros em alta - o BC começou a elevar a taxa básica da economia brasileira em setembro. Além disso, as exportações também superaram as previsões do mercado.
Indústria - O PIB da indústria cresceu no ano passado 6,2%, com destaque para a indústria de transformação, que teve expansão de 7,7%. Outros setores tiveram crescimento menor: agropecuária (5,3%) e serviços (3,7%).
Para o economista Estêvão Kopschitz, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado ao Ministério do Planejamento, a indústria teve papel preponderante na expansão da economia em 2004.
Kopschitz destaca que as atuais taxas de crescimento superam as da época do início do Plano Real. ''Isso só reforça o resultado atual porque foi o primeiro ano de forte crescimento que não ocorreu após planos de estabilização da economia. Neste caso, o resultado é fruto de políticas seguidas ao longo dos últimos anos'', disse.
O economista destaca, no entanto, que o vigor da expansão da atividade econômica no ano passado foi, em parte, reflexo do que não aconteceu no ano anterior. ''Parte desse crescimento foi o que não ocorreu em 2003, quando a economia cresceu somente 0,5%'', disse.
Consumo - O consumo das famílias também exerceu papel relevante no crescimento da economia, com alta de 4,3%, a maior taxa acumulada em 12 meses desde o primeiro trimestre de 2001. Com o aumento da oferta de crédito -impulsionado por novas modalidades como o empréstimo com desconto em folha- o consumidor se sentiu mais confiante para fazer compras a prazo.
Segundo Kopschitz, também está por trás do aumento do consumo a melhora do mercado de trabalho. Em 2004, o desemprego chegou a 9,6% em dezembro, a menor taxa desde o início da série histórica. Já a massa salarial, segundo o IBGE, teve alta de 1,5% no ano passado.
A queda dos juros a partir de meados de 2003 também teve efeito benéfico sobre a economia. Os efeitos defasados provocaram uma melhora no desempenho do consumo e da indústria.
Investimentos - Os investimentos tiveram expressivo crescimento de 10,9% em 2004, segundo o IBGE. Trata-se da maior alta desde o terceiro trimestre de 1997. Para o economista-chefe do banco Schahin, Cristiano Oliveira, consumo das famílias e investimentos foram a receita para o crescimento do PIB no ano passado.
A economista-chefe do BES Investimento, Sandra Utsumi, ressalta as melhorias estruturais como a aprovação da Lei de Falências, das Parcerias Público-Privadas ®MD77¯(PPPs®MDNM¯) e da retirada dos investimentos públicos do cálculo do superávit primário. Segundo Utsumi, estas modificações criaram um cenário de investimentos mais favorável.
No quarto trimestre, no entanto, eles começaram a perder fôlego. Segundo o economista do JP Morgan, Fábio Akira, a queda pode ser comprovada pela redução do ritmo de produção de máquinas e equipamentos para a agricultura. ''Os preços das commodities começaram a cair, o que gera uma freada nos investimentos neste setor''.


