PIB tem crescimento de 2,91% em 96
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Agência Estado. do Rio de Janeiro 
O Produto Interno Bruto (PIB - soma dos bens, mercadorias e serviços produzidos no País) brasileiro cresceu no ano passado menos do que se esperava: apenas 2,91%, informou ontem o IBGE. Em 95, a economia tinha crescido 4,28%. A renda per capita elevou-se em 1,52%, em termos reais (descontada a inflação) em 1996, e chegou a R$ 4.764,00. O rendimento médio real dos trabalhadores, já anunciado pelo IBGE, aumentou 7,64%. O valor do PIB em 1996, segundo estimativas informais de técnicos do órgão, foi de R$ 752,405 bilhões. Há um mês, as estimativas preliminares do órgão indicavam que a expansão havia se situado em 3,1%.
Esta estimativa, assim como as feitas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), e que indicavam idêntico resultado, ainda não tinham incorporado os resultados da indústria de transformação em dezembro, e que foram frustrantes, já que a atividade industrial encolheu 1,4% naquele mês, em relação ao precedente - esperava-se que houvesse pelo menos uma estabilidade. Assim, o valor do PIB ficou cerca de R$ 1,4 bilhão menor que o estimado em fevereiro.
Desde 1987, a economia brasileira cresceu 20,56%, o que representou uma taxa média anual de 1,89% no período, segundo os técnicos do IBGE. Na década de 90, o crescimento acumulado da economia foi de 12,81%, ou seja, uma média anual de 1,74%. O IBGE também informou que o pessoal ocupado no País aumentou em 2,18%.
O coordenador da equipe técnica do PIB trimestral, Roberto Luís Olinto Ramos, e a técnica Heloisa Valverde Filgueiras, consideram muito cedo para prever qual poderá ser o crescimento do PIB este ano. Eles lembram que, na verdade, até mesmo saber qual é exatamente a situação da economia neste momento é extremamente difícil.
De acordo com Olinto, já há informações de que o nível de inadimplência está muito alto. Assim, com a capacidade de endividamento esgotada, a demanda poderá cair, levando a uma redução na atividade econômica. O problema, assinala, é que ainda não há indicações seguras de que o nível de inadimplência esteja alto o bastante para reduzir o crescimento.
Conforme Olinto e Heloísa Filgueiras, a tendência de crescimento da economia, iniciada em 93 - embora interrompida pelo governo em março de 1995, com severas medidas anticonsumo - continuou no ano passado, a partir do segundo trimestre, embora a taxa de crescimento dos últimos três meses do ano, em relação aos três meses imediatamente anteriores, tenha ficado em somente 0,70%. Em confronto com o último trimestre de 1995, o PIB subiu 5,37%, porém esse excelente resultado deveu-se principalmente à base deprimida constituída pelo último período de 1995.


