PIB surpreende e tem alta de 1,5% no País
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sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O Produto Interno Bruto (PIB) nacional surpreendeu analistas de mercado e apresentou crescimento de 1,5% na comparação do primeiro com o segundo semestre do ano, conforme divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo a prévia do Banco Central (BC), por meio do Índice de Atividade Econômica, era de que o índice bateria em 0,89%, mas o bom desempenho do agronegócio elevou o resultado das contas do País.
No comparativo do segundo trimestre sobre o mesmo período do ano passado, o PIB atingiu 3,3% de crescimento. Para os economistas, o resultado melhor do que o esperado não pode ser considerado totalmente bom porque a base de comparação do ano passado foi fraca devido à queda da produção industrial e porque o setor de agronegócios enfrentava quebra de safra.
A maior taxa de crescimento no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2012 foi do setor agropecuário, com 13%. Na sequência aparece a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que são os investimentos em bens de produção, como máquinas e equipamentos, com alta de 9%. Abaixo da média geral de 3,3% do PIB no comparativo estão a indústria, com 2,8%, os serviços, com 2,4%, o consumo de famílias, 2,3%, e as compras do governo, 1%.
Chefe do departamento de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Azenil Staviski diz que é cedo para falar em recuperação econômica. "No terceiro trimestre tivemos um aumento de custos pela desvalorização do real frente o dólar e isso impacta nas importações de matéria-prima para a indústria de transformação", conta.
Ele afirma que o peso cambial é sentido mais rapidamente nas importações de insumos do que nas vendas ao exterior. "E tivemos um reflexo de parte das paralisações (protestos populares que começaram em junho) na atividade econômica do segundo semestre", diz Staviski.
O presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, considera que o agronegócio é um ponto fora da curva da produção nacional. "É o resultado de uma safra agrícola acima do normal que encontrou bons preços no mercado internacional", diz. Ele completa que houve crescimento agrícola, mas devido à comparação com uma fase de queda do setor. "A tendência da indústria neste ano não é tão ruim como no ano passado."
O salto de 9% na FCBF também se apega à supersafra. Como houve alta na produção de grãos, houve aumento na fabricação e venda de equipamentos, tratores e caminhões para transporte. Já em serviços e no consumo de famílias, os índices menores se devem à pressão inflacionária. "A alta de preços tem contribuído para o consumidor ser mais racional", diz Staviski, ao lembrar que houve queda, por exemplo, no consumo de alimentos fora de casa.
Para ambos, não é possível crer que o PIB nacional vá muito além dos 2%. Antunes diz que o modelo centrado no consumo interno para movimentar a economia se esgotou e que leva tempo para que o foco na infraestrutura, necessária ao País, decole. "Se ficar em 2%, vai ser para comemorar." (Com Agência Estado)

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