PIB sobe 1,3%, abaixo das expectativas
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
<br> Agência Estado 
São Paulo - O Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, a soma de toda a riqueza produzida no período no Brasil, cresceu 1,3% em relação ao trimestre anterior, abaixo das projeções do mercado financeiro, que variavam de alta de 1,6% a 2,9%. Em relação ao terceiro trimestre do ano passado o PIB caiu 1,2% e, no ano, queda de 1,7%. O resultado levou economistas a revisarem suas projeções para o ano e distendeu o prazo de um possível início da elevação dos juros básicos em 2010.
O consumo das famílias é o que continua sustentando o PIB, com alta de 2% no mesmo período e crescimento de 3,9% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Já o PIB da indústria cresceu 2,9% em relação ao segundo trimestre, mas ainda mostra queda de 6,9% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) subiu 6,5% no terceiro trimestre deste ano em comparação com o segundo trimestre, o que representou a maior alta ante trimestre imediatamente anterior apurada pelo IBGE desde o primeiro trimestre de 2006
Na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, isso prova que os investimentos ''estão bombando''. Embora negue que o resultado divulgado ontem seja um ''pibinho'', o que para ele seria mais aplicável à evolução da economia da União Europeia, da Espanha, Alemanha, EUA e Reino Unido, Mantega disse que sua previsão de alta de 1% do PIB no ano ficou comprometida, mas ainda acredita que o resultado será positivo.
Ele afirmou que continua acreditando num crescimento de 5% em 2010. Segundo ele, a economia já está crescendo a um ritmo de 4,5% a 5% no quarto trimestre de 2009. ''Vamos ter um final de ano com a economia girando num patamar satisfatório. Vamos entrar 2010 com a economia aquecida e crescendo a 5%'', afirmou.
Também aposta em crescimento o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para quem o País iniciará 2010 ''bombando''. Para ele, os dados do IBGE mostram que o País está colhendo os frutos do trabalho realizado antes da crise financeira, que levou ao aumento do poder aquisitivo da população e ao crescimento da classe média. ''Isso está dando sustentação à economia hoje'', analisou o ministro.
Bernardo também destacou o aumento do consumo do governo - alta de 0,5% no terceiro trimestre ante o segundo e de 1,6% ante o terceiro trimestre de 2008. ''É bom para desarmar esses alarmistas que dizem que vamos estrangular o crescimento com consumo do governo. Claramente isso não é verdade.''
Independentemente de o Brasil iniciar ''bombando'' em 2010, a divulgação do PIB abaixo do esperado já detonou no mercado financeiro revisões para o crescimento da economia no ano. Apesar de a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, avaliar que ''seria exagero'' dizer que o resultado divulgado ontem seja capaz de mudar o cenário, ela disse que, para que o PIB fique pelo menos estável 2009, será necessária uma expansão de 5% no quarto trimestre deste ano em relação a igual período do ano passado. Já para uma suposta queda de 1% no resultado do PIB em 2009, haveria uma expansão de 1% no quarto trimestre ante igual período de 2008.
Nos cálculos do sócio da Tendências Consultoria, Juan Jensen, para que o PIB cresça 1% no ano, como era o objetivo de Mantega, o Brasil precisaria avançar 7,6% no quarto trimestre na margem, o que é impossível. Mesmo para o País registrar estabilidade, seria necessário um incremento de 3,6% entre outubro e dezembro em relação ao trimestre anterior.


