O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 0,5% no terceiro trimestre sobre o segundo, o que reduziu a expansão da economia entre janeiro e setembro para 2,4%. Divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado foi o pior desde a crise de 2009, quando houve recuo de 1,9% nos primeiros três meses do ano. No Paraná, o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) anunciou crescimento de 4,6% nos primeiros nove meses do ano (leia mais nesta página).
A queda no País foi puxada pela desaceleração do agronegócio, principalmente pela redução nas cotações internacionais do açúcar, do café e da laranja, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) do Paraná. O setor tinha crescimento de 12,3% até o fim do primeiro semestre, na esteira da supersafra da soja, mas fechou o acumulado até setembro com alta de 8,1%. O terceiro trimestre registrou queda de 3,5% diante do segundo e de 1% sobre julho a setembro de 2012.
Completam o setor produtivo indústria e serviços, com avanços de 0,1%, cada, no terceiro trimestre sobre o anterior. Pelo lado da demanda, houve queda de 2,2% na formação bruta de capital fixo, que representa os investimentos. O consumo das famílias cresceu 1% e o do governo, 1,2%. Na comparação com o terceiro trimestre de 2012, a economia brasileira cresceu 2,2% e, no acumulado de 12 meses, 2,3%.
O IBGE também anunciou a revisão do PIB de períodos anteriores, o que resultou em ajustes para cima nos índices do segundo trimestre, que estava em 1,5% sobre os primeiros três meses e passou a 1,8%, e do ano passado, que era de 0,9% e passou para 1%. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou que o motivo do mau resultado de setembro foi o bom desempenho do período anterior. "Com a revisão do segundo trimestre, o Brasil seria um dos países que mais cresceram no G20. No segundo trimestre, com 1,8% (de crescimento do PIB), o Brasil teria crescido mais do que a China. Mas com o terceiro trimestre, então, o Brasil teria crescido menos que a maioria dos países", disse.
A queda de 0,5% no PIB brasileiro no terceiro trimestre foi o pior resultado entre as principais economias mundiais. A China teve avanço de 2,2%, com 0,8% no Reino Unido e no México, 1,1% na Coreia do Sul, 0,7% nos Estados Unidos, 0,5% no Japão, 0,3% na Alemanha, 0,2% em Portugal, além de 0,1% na Holanda e na Espanha. Ficaram negativos em 0,1% os índices de França e Itália.

Preços e juros
O professor de economia Eugenio Stefanelo, que é técnico da Conab do Paraná, afirmou que apenas os valores de laticínios e carnes ficaram estabilizados no terceiro trimestre frente o segundo. Além de açúcar, café e laranja, ele lembra que o milho mal rendeu o custo de produção no período e que houve redução também para artigos de hortifrúti.
Stefanelo lembrou que 43% das exportações brasileiras neste ano foram ligadas ao agronegócio. "A taxa de crescimento do agronegócio só foi menor (no terceiro trimestre) porque a média de preços foi mais baixa no período."
Consultor da Associação Comercial do Paraná (ACP) e diretor executivo do Datacenso, Claudio Shimoyama disse que a expectativa para comércio e serviços é positiva para o quarto trimestre. Ele acredita que o País feche mesmo com índices de crescimento próximos a 2,5%. "Apesar de o Paraná crescer acima da média, o próprio consumo interno tende a estimular essa alta e os comerciantes estão otimistas para o Natal."
Shimoyama considerou o resultado bom "apesar da alta dos juros", já que o Banco Central elevou sucessivamente a Selic até a semana passada, quando fechou em 10%. Stefanelo completou que é preciso atenção sobre as contas do governo, já que as mesmas taxas incidem sobre títulos da dívida pública. "O problema é que a Selic está deteriorando o superavit primário e o governo sabe disso." (Com agências)

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