Um Paraná extremamente desigual. É o que revela a comparação do Produto Interno Bruto (PIB) per capita das dez mesorregiões estaduais referente ao ano de 2010, último levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), em dezembro do ano passado. A diferença entre a mesorregião mais rica, a Região Metropolitana de Curitiba (RMC), e a mais pobre, a Sudeste, chega a 158%. Na primeira, que além da Capital inclui municípios como São José dos Pinhais e Paranaguá, o PIB per capita era de R$ 29.690. Na última, representada por cidades como Irati, Prudentópolis e União da Vitória, o indicador era de R$ 11.491.
Também chama atenção no levantamento feito pela FOLHA a colocação do Norte Central no ranking estadual. Apesar de incluir Londrina e Maringá - a segunda e a terceira maiores cidades paranaenses -, a mesorregião está em quarto lugar, perdendo para a RMC, a Oeste (Cascavel, Foz do Iguaçu, Toledo, etc.) e a Centro Oriental (Ponta Grossa, Telêmaco Borba, Castro, etc.).
O PIB per capita da Mesorregião Oeste era de R$ 19.998 e o da Mesorregião Centro Oriental, de R$ 18.312 em 2010. Já a Norte Central tinha PIB per capita de R$ 17.215.
A segunda mesorregião mais pobre em 2010 era a vizinha Norte Pioneiro. Incluindo cidades como Cornélio Procópio, Jacarezinho e Santo Antônio da Platina, ela tinha um PIB per capita de apenas R$ 12.214.
Quando se analisa somente o PIB bruto das mesorregiões, sem dividi-lo pelo número de habitantes, a ordem do ranking é diferente. A RMC vem em primeiro lugar, tendo registrado um PIB de R$ 103,5 bi naquele ano, e o Norte Central assume a segunda posição, com R$ 35 bi de PIB. A Sudeste permanece como a mesorregião mais pobre nas duas comparações, tendo apresentado um PIB total de R$ 4,6 bilhões em 2010. Mas, o Norte Pioneiro, com PIB de R$ 5,1 bilhões, deixa a penúltima colocação e assume a antepenúltima.

Análise
Segundo o diretor de pesquisas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Júlio Suzuki, as desigualdades regionais não são uma "particularidade" paranaense. Pelo menos não no que diz respeito à concentração da riqueza nas regiões metropolitanas das capitais. Segundo ele, a Região Metropolitana de Porto Alegre concentra 44% do PIB gaúcho – proporção parecida com a Região Metropolitana de Curitiba diante do PIB total paranaense. "A exceção é Santa Catarina: a Região Metropolitana de Florianópolis detém apenas 13% do PIB estadual", afirma.
Ele ressalta que a indústria de alto valor agregado é a atividade que mais impulsiona o PIB e o PIB per capita. "Temos na RMC a Repar (refinaria da Petrobras), as montadoras de automóveis e outras tantas indústrias", destaca.
Segundo ele, o PIB per capita da mesorregião Centro Oeste é superior ao do Norte Central devido à força do agronegócio local, à produção de energia pela Usina de Itaipu, e ao turismo desenvolvido em Foz do Iguaçu. Já o da Mesorregião Centro Oriental supera o do Norte Central em virtude da agroindústria instalada principalmente em Ponta Grossa e Castro. "Aquela região tem uma pujante indústria de óleos vegetais, de lácteos e também de impacto florestal", justifica.
De acordo com Suzuki, as regiões mais pobres, como a Sudeste e o Norte Pioneiro, são as que que apresentam atividade econômica primária, sem valor agregado. O diretor garante que o governo do Estado "tem o diagnóstico da desigualdade" do Paraná e o projeto para diminuí-la é a industrialização do interior.

Imagem ilustrativa da imagem PIB per capita tem diferença de 158% entre mesorregiões
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