Imagem ilustrativa da imagem PIB negativo no 1º trimestre e fraco investimento ameaçam ano
| Foto: Amanda Oliveira/GovBA

O PIB (Produto Interno Bruto) registrado no primeiro trimestre deste ano recuou 0,2% em relação aos últimos três meses de 2018, resultado que mostra uma quebra das expectativas positivas e uma maior dificuldade em aprovar medidas de incentivo à produção de riquezas. Contudo, resultados negativos dos investimentos empresariais, da indústria da transformação e da construção civil indicam uma chance baixa de ter um crescimento aceitável para a economia nacional em 2019.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Houve queda de 1,7% na FCBF (Formação Bruta de Capital Fixo), que representa que empresários deixaram de investir em máquinas e equipamentos porque não consideram um aumento de demanda no horizonte. A construção civil recuou 2,0%, ainda diante da baixa oferta de crédito e endividamento do consumidor. Já a indústria da transformação, que conta com alta ociosidade e revela pouca necessidade de contratação de mão de obra, teve retração de 0,5% no resultado.

No caso da FCBF, a gerente da Coordenação de Contas Nacionais do IBGE, Claudia Dionisio, afirma que o resultado seria ainda pior não fosse impactado positivamente pela importação de plataformas de petróleo, após mudanças nas regras do regime de incentivo tributário para o setor de petróleo e gás. Ainda, a FBCF está 29% abaixo do pico registrado em 2013.

Outro elemento que prejudicou o resultado foi o desastre pelo rompimento em janeiro de barragem de rejeitos da Vale, em Brumadinho (MG). A tragédia matou 245 pessoas, deixou 25 desaparecidas e prejudicou fortemente as atividades da gigante nacional. Assim, o resultado desse tipo de indústria extrativa recuou 6,3% frente o quarto trimestre de 2018, no pior desempenho desde setembro de 2008, no auge da crise financeira mundial.

O diretor de pesquisas do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), Julio Suzuki Junior, afirma que a maior parte dos analistas econômicos começam a trabalhar com uma mediana de 1% de crescimento para o PIB brasileiro neste ano. “Não é que se possa dizer que o ano está perdido, mas é que deve ficar muito abaixo de indicar um índice de recuperação necessário”, diz.

Ele lembra que não se trata de uma recessão técnica, que é quando há resultados negativos por dois trimestres seguidos, mas não deixa de ser preocupante. “Porque não está em linha com as expectativas do início do ano, que foram muito influenciadas por uma visão de futuro com a aprovação de reformas como a da Previdência com maior facilidade do que temos hoje”, explica Suzuki.

O presidente da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Edson Campagnolo, afirma que o setor segue à espera de medidas que melhorem o ambiente de negócios no País para então investir. “Não seria possível exigir dos governos estadual e federal, que assumiram neste ano, que a economia já estivesse a pleno vapor, mas o setor produtivo precisa de sinais mais concretos de que os rumos da economia estão sendo corrigidos, a começar pela aprovação da reforma da Previdência.”

O presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, não enxerga movimentação que reverta a expectativa atual de um PIB reduzido. “Apesar de não ser tão anormal em início de governo, há um clima de confrontos que não dá agilidade às propostas, e isso tudo se traduz na economia”, diz. “O grande fato seria o avanço de reformas, em especial a da Previdência, que abriria caminho para outras. É a maior, mas precisaríamos de outras, como a tributária e a para desburocratização.”

O que segurou um pouco o resultado foi o crescimento do consumo das famílias (+0,3%) e do governo (+0,4%). Conforme o IBGE, serviços também ficaram no campo positivo (+0,2%), enquanto a agropecuária fechou negativa (-0,2%).

DESEMPENHO

O Brasil ficou no 45º lugar em um ranking global de taxa de crescimento elaborado pela Austin Rating com 47 países, com alta de 0,5% no primeiro trimestre de 2019 contra igual período do ano anterior. No último trimestre do ano passado, o País ocupava a 40ª posição de uma pesquisa com 42 países.

Entre os países emergentes conhecidos como Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil superou apenas a Rússia, que teve crescimento semelhante, mas ficou também à frente da Itália, cuja taxa de crescimento foi de apenas 0,1%. A China, que também integra o grupo, cresceu 6,4% e a Índia, 6,3%.

Segundo o ranking divulgado pela Austin, a Armênia foi o País que mais cresceu no primeiro trimestre do ano, com taxa positiva de 7,1%.

“DECOLAGEM EM JULHO”

O ministro da Economia, Paulo Guedes, negou que faltaram ações do governo para estimular a produção de riquezas e disse que o crescimento aparecerá com a aprovação da reforma da Previdência. "O próximo trimestre já deve começar a ser positivo, já deve ter alguma reforma. De julho em diante, o Brasil começa a decolar", afirma.

Guedes acrescentou que é preciso começar pelas "coisas mais importantes", por isso o foco na reforma e não em outras medidas "Voo de galinha já fizemos várias vezes, faz uma liberação aqui, baixa artificialmente os juros para reativar a economia. Foi assim que o último governo caiu", alfinetou. "Não vamos fazer truques nem mágicas, vamos fazer reformas sérias."

Ele admitiu, no entanto, que a reforma não é suficiente e que são necessárias outras mudanças além da previdenciária. (Com Agência Estado)

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