O forte desaquecimento da economia entre abril e junho deve levar o Banco Central a manter a taxa básica de juros (Selic) inalterada neste mês, avaliam economistas ouvidos pela Agência Folha. Eles acreditam que o BC possa reduzir os juros até o final do ano, mas devem manter a taxa inalterada na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que ocorre na semana que vem, nos dias 21 e 22.
Para os especialistas, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em apenas 0,79% no segundo trimestre deste ano em relação a igual período de 2000 era o sinal que faltava para o BC reavaliar o impacto das elevações de juros sobre a economia real. O BC aumentou a Selic cinco vezes em 2001, de 15,25% ao ano para 19%.
''Quando o governo fechou o novo acordo com o FMI, ficou claro que o Copom não mexeria na Selic neste mês. Os dados do PIB só confirmaram isso'', disse Octavio de Barros, economista do BBV Banco.
Para Marcelo Allain, diretor do banco Inter American Express, a desaceleração da economia e a falta de novidades no cenário externo justificam a manutenção da taxa nos atuais 19% ao ano. Em sua opinião, as últimas elevações da Selic já terão impacto sobre o nível de preços neste semestre, e uma alta agora não ajudaria no cumprimento da meta.
''Os números do PIB sugerem que o BC faça pelo menos uma pausa para avaliação'', disse Carlos Kawall, do Citibank. Ele acredita que o BC poderá reduzir os juros no último trimestre. ''Ainda que pesem a inflação maior que o esperado e a alta do dólar, o mais provável é que o BC mantenha a Selic onde está'', completou.
Autonomia Armínio Fraga, presidente do Banco Central, Guido Mantega, assessor econômico do PT, e Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos economistas mais ouvidos pelos partidos de oposição, concordam que o papel do Banco Central pode ser reformulado para que a instituição tenha mais autonomia, mas não deve ser totalmente independente.
''O BC deve ter autonomia, mas se o presidente não cumprir o que é esperado, o presidente da República precisa de liberdade para substituí-lo. Senão, ficaria quatro anos atravessando o caminho'', disse Mantega. ''Concordo'', respondeu Fraga, durante o debate ''Qual é o Banco Central ideal?'', promovido pelo Sindicato Nacional dos Funcionários do BC. ''É preciso ter um sistema que permita, de forma clara, a remoção da pessoa do cargo.

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