Rio de Janeiro - O Produto Interno Bruto (PIB) do País somou R$ 1,515 trilhão no ano passado. Descontada a inflação, houve queda de 0,2% em relação ao ano anterior, o que representou uma perda real de R$ 3 bilhões. Com saldo recorde na balança de bens e serviços de R$ 56,6 bilhões em 2003, por conta do forte avanço das exportações, o Brasil não teve, no ano passado, pela primeira vez em dez anos, necessidade de financiamento externo para fechar suas contas.
Os valores das contas nacionais foram informados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que já havia divulgado, no fim de fevereiro, a queda porcentual do PIB. Desta vez, o instituto apresentou os números relativos a 2003, que também mostram que a renda per capita do brasileiro alcançou R$ 8.565,00 (queda real de 1,5%). O IBGE estimou a população no ano passado em 176,9 milhões de habitantes.
A consultoria GlobalInvest calculou que o PIB brasileiro caiu em 2003 da 12 para a 15posição no ranking mundial. Para comparar o produto brasileiro com o de outras economias, a consultoria converteu o valor em dólar e usou projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para outros países.
Alguns economistas criticam a comparação porque nem todos países divulgaram seus PIBs e as taxas de câmbio diferentes afetam o resultado. O saldo externo divulgado pelo IBGE equivale ao saldo da balança de produtos somado a outros itens de serviços, como comunicações, viagens ao exterior, fretes. ''A balança teve variações muito fortes nos últimos três anos, o que está explicando a reversão da necessidade de financiamento'', comentou Roberto Olinto, gerente de contas trimestrais do IBGE.
Depois de registrar necessidade de financiamento de R$ 15,4 bilhões em 2002, o País exibiu capacidade de financiamento de R$ 11,7 bilhões em 2003. Olinto explica que, na prática, o fato de o País ter capacidade em lugar de necessidade de financiamento significa que não precisou de recursos externos e está podendo aumentar suas reservas, ''o que é uma coisa importante''.
O economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica (Ipea) Eustáquio Reis concorda que a capacidade aumenta a segurança e credibilidade macroeconômicas. Mas ressalta que isso ocorre ''à custa de menos bem-estar''. ''Está, na verdade, exportando poupança para o exterior, no lugar de estar absorvendo isso'', afirmou Reis, citando que os níveis de consumo e de investimentos estão baixos, em razão da política econômica, que leva em conta juros altos, ajuste fiscal e contenção de investimentos.

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