PIB encolhe 1,9% no segundo trimestre
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sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Andréa Bertoldi <br>Reportagem Local 
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 1,9% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano. Foi o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009, quando a economia sentia os efeitos da crise internacional que emergiu com o colapso do sistema financeiro nos Estados Unidos. Na comparação com o segundo trimestre de 2014, o PIB recuou 2,6% no período. Com o dado divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia do País recuou 2,1% no primeiro semestre deste ano, em relação a igual período de 2014, e acumula queda de 1,2% em 12 meses até o segundo trimestre de 2015. Ainda segundo o instituto, o PIB do segundo trimestre do ano totalizou R$ 1,428 trilhão.
O presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, disse que a indústria foi a principal responsável pela queda do PIB no trimestre. Segundo ele, o resultado só não foi pior por conta da agropecuária. No ano passado, o PIB brasileiro já teve resultado praticamente nulo, com crescimento de apenas 0,1%. E, para este ano, as previsões apontam para um PIB de -2%. Suzuki reforça que o que segurou o resultado do semestre foi a safra de verão favorável.
Para o professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, o desempenho da produção de bens e serviços do País é resultado dos erros cometidos na política econômica do governo Dilma Rousseff, principalmente na política fiscal. "Isso afetou a confiança dos empresários. Estamos colhendo os frutos da política econômica", disse. Ele destacou que o que resta de positivo é alguma competitividade do agronegócio.
Para ele, o Brasil vive um contexto de estagnação econômica. Curado disse que o governo fez uma tentativa equivocada de promover crescimento com expansão fiscal, desonerando tributos e aumentando os gastos públicos.
Nenhum segmento produtivo escapou da retração no trimestre. A maior queda foi registrada pela indústria, cujo produto caiu 4,3% em comparação com o primeiro trimestre. A agropecuária teve queda de 2,7%, seguida pelo setor de serviços (retração de 0,7%).
Na comparação com o mesmo trimestre de 2014, a produção agropecuária foi a única com saldo positivo expansão de 1,8%. O tombo da indústria foi de 5,2% e o do setor de serviços foi de 1,4%.
Do lado da demanda, o consumo do governo foi o único que cresceu no segundo trimestre, 0,7% em relação ao registrado nos três primeiros meses do ano. O consumo das famílias, que vinham segurando o crescimento econômico até o ano passado, teve retração de 2,1%. Suzuki destacou que o consumo das famílias caiu com a queda da renda, com o desemprego e o ajuste fiscal do governo. Chama a atenção o aprofundamento da queda do investimento, que registrou recuo de 8,1% no trimestre. "Se os investimentos não crescem não há um futuro positivo", afirmou Curado.
Nenhum elemento de demanda cresceu no segundo trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado. O investimento, nessa base de comparação, caiu 11,9%, seguido pelo consumo das famílias (-2,7%) e pelo consumo do governo (-1,1%).
A taxa de investimento no segundo trimestre foi de 17,8% do PIB, abaixo dos 19,5% do segundo trimestre de 2014. Já a taxa de poupança ficou em 14,4%, ante 16% em igual período de 2014. (Com agências)


