A economia brasileira cresceu 3,03% no ano passado, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao divulgar as estatísticas do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre. Os dados são preliminares - mesmo o resultado anual definitivo de 96 somente estará disponível em maio ou junho, juntamente com o dado anual provisório de 97.
Cálculos informais indicam que o valor do PIB (soma dos bens, mercadorias e serviços produzidos no País) ficou em R$ 862,439 bilhões (US$ 806,651 bilhões) e que a renda per capita atingiu R$ 5.402,52. Em 96, o resultado foi de 2,88% de variação para o PIB, portanto, inferior ao de 97.
Os números de 97 indicam que o Brasil deverá entrar no próximo milênio integrando o pequeno grupo de países (hoje são apenas seis) cuja economia supera o trilhão de dólares. A renda per capita média em dólares, de acordo com as últimas estimativas do Banco Central, chegou a US$ 5.020,00 em 97, o que retira o País da companhia dos mais pobres - o problema continua sendo o de distribuir melhor essa renda entre as pessoas.
O resultado provisório de 97 ficou bem abaixo do que o governo esperava no início do ano - um crescimento entre 4% e 5% -, embora a economia não tenha chegado a acusar completamente o golpe da crise na Ásia, que levou a equipe econômica a baixar um pacote fiscal, com medidas contracionistas como uma enorme elevação nas taxas de juros.
De acordo com o coordenador do PIB trimestral do IBGE, Roberto Luiz Olinto Ramos, a economia no quarto trimestre não chegou a captar com a intensidade esperada os efeitos do pacote fiscal. Em seu entender, no primeiro trimestre deste ano é que o PIB deverá sofrer esses efeitos mais intensamente, incluindo os da inadimplência, que vem se mostrando forte.
Olinto frisou, porém, que não vai haver ‘‘nenhuma catástrofe’’. ‘‘Que o PIB vai cair, vai, só que não sabemos em quanto’’, assinalou. Reforçou, porém, que até agora não existe nenhuma indicação de que a retração da economia será tão grande quanto se pensava no final do ano passado.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também a partir de dados preliminares, prevê uma redução de 2,1% no PIB do primeiro trimestre de 98 em relação ao imediatamente anterior. Para o ano, o Ipea, órgão do Ministério do Planejamento, projeta crescimento de 2% para a economia.
No quarto trimestre, em relação ao trimestre imediatamente anterior e já descontados os fatores sazonais, a economia cresceu somente 0,50%, o que quer dizer que, mesmo tendo sido menos influenciada do que se esperava pelo pacote, de qualquer forma a economia não deixou de se desaquecer. No segundo semestre do ano passado, em relação ao primeiro, o PIB teve uma queda de 0,48%.
Para Olinto, é preciso cuidado quando se compara o crescimento de 1,93% no quarto trimestre em comparação com o quarto trimestre de 1996, que registrou expansão de 4,87%. Tal diferença, assinala, não significa que a economia tenha tido um forte desaquecimento nos últimos meses de 97, em confronto com o mesmo período do ano precedente. Ele lembrou que no final de 1995 a economia ainda se ressentia do pacote de contenção ao consumo baixado pelo governo no início do ano e, assim, o quarto trimestre de 95 formou uma base de comparação muito deprimida.
Conforme o IBGE, o PIB industrial cresceu 5,28% no ano (mais do que em 96, quando registrou 3,73%), graças principalmente ao comportamento da indústria de construção, cuja expansão foi de 8,59%. Para isso contribuiu, segundo Olinto, não apenas a chamada ‘‘construção formiga’’, em que pessoas físicas compram materiais para reforma de suas casas, como também as privatizações de rodovias.
Outro destaque foi o da indústria extrativa mineral, que cresceu 7,52%, principalmente em decorrência da maior produção de petróleo. A indústria de transformação melhorou em relação ao ano anterior: cresceu 2,79% em 96 e 3,82% em 97.
O setor de serviços passou de uma expansão de 2,33% em 96 para 1,13% em 97, mostrando que o período de crescimento acelerado que conheceu após o real está se acomodando. Neste setor, o destaque coube ao segmento de transportes (4,72%). O comércio teve um resultado modesto: 0,62%, como já era esperado, principalmente em decorrência da redução das vendas no final do ano.
O setor de agropecuária, que havia variado 4,06% em 96, ficou praticamente estável em 97, com 0,31%, mas, como ressaltado por Olinto, estes dados ainda não englobam o aumento de renda agrícola que se sabe que ocorreu este ano. Os resultados realmente válidos para a agropecuária somente serão conhecidos em maio ou junho, quando todas as informações tiverem chegado ao IBGE.

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