PIB do Paraná traz reflexos da crise
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sábado, 22 de novembro de 2008
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná deve crescer 5,8% em 2008, percentual abaixo da expectativa para 2007 que é de 6%. Os números já refletem sinais da crise financeira global nesse último trimestre. Mesmo, com um cenário de crescimento menor, o PIB do Paraná deve ficar acima da estimativa para o Brasil que é de 5,2% para 2008, segundo previsões do Banco Central. ''A economia do Paraná tem mostrando vitalidade na geração de empregos'', disse o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Carlos Manuel dos Santos. De janeiro a outubro, o Estado gerou mais de 160 mil postos de trabalho.
O coordenador de conjuntura do Ipardes, Julio Suzuki, acredita que o crescimento do Paraná está ligado ao quadro macroeconômico que ocorreu até a intensificação da crise. Ele explica que os principais fatores que contribuíram para isso foram o aumento do volume de crédito até setembro, a elevação dos salários, consequência do aquecimento do mercado de trabalho e da valorização do câmbio.
Santos disse que um dos setores que já sentiu os efeitos da crise foi a indústria automotiva que deu férias coletivas para uma série de funcionários.
Apesar de o comércio do Paraná ter registrado uma alta nas vendas de 7,7% de janeiro a setembro, a Associação Comercial do Paraná (ACP) prevê um crescimento menor no Natal de apenas 5%. ''Até setembro tínhamos uma fartura de crédito com massa salarial e nível de emprego em ascensão aliados à boa produção da safra agrícola. Esses resultados somados devem confirmar as estimativas para o PIB de 2008, embora com um final de ano com números mais modestos do que esperávamos'', disse a presidente da ACP, Avani Slomp. De janeiro a setembro, as maiores altas de vendas foram dos ramos de material de escritório e informática (91,5%) e móveis e eletrodomésticos (13,5%).
Ao longo dos últimos anos, o Paraná foi perdendo participação no PIB do Brasil. Em 2002, o Paraná participava com 6% do PIB nacional, em 2003 chegou a 6,4% e, em 2006, a 5,8%. Santos explica que em 2005 e 2006 a agricultura do Estado sofreu com a queda dos preços das commodities e com a estiagem. Além disso, outras regiões do Brasil como Norte, Nordeste e Centro-Oeste estão crescendo mais. ''Isso não significa que o Paraná não esteja crescendo. O Paraná pode ter crescido menos que outras regiões brasileiras'', disse. Em 2006, o Paraná ficou na quinta colocação em participação no PIB do País.
Santos preferiu não fazer projeções para o PIB do próximo ano. ''Podemos falar em 2009 depois do Natal. Vai depender de como o consumidor vai responder à liberação do crédito'', disse. O desempenho do PIB também vai depender de como vão ficar os preços das commodities no mercado externo e das importações de soja que a China fará do Paraná.


