PIB do Brasil nas mãos de 8
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sábado, 15 de novembro de 2008
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) do País são provenientes de apenas oito de 27 unidades da Federação e estão concentrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Santa Catarina e Distrito Federal. Mas, por outro lado, a concentração do PIB nessas oito regiões reduziu em 1 ponto porcentual (de 79,7% do PIB para 78,7%, ou o equivalente a R$ 23,7 bilhões) entre 2002 e 2006, como aponta a pesquisa do PIB regional de 2006 divulgada ontem pelo IBGE. O levantamento mostra que, entre 2002 e 2006, a Região Norte elevou em 0,4 ponto porcentual sua participação no PIB do País, enquanto o Sul recuou em 0,6 ponto a sua fatia.
O coordenador do curso de Economia FAE Business School, Gilmar Mendes Lourenço, disse que esses números confirmam a concentração da atividade econômica nas regiões Sudeste e Sul que são o ''eixo industrial do País''. O Distrito Federal continua tendo o maior PIB per capita (R$ 37.600), quase o triplo da média nacional (R$ 12.688) e bem à frente de São Paulo (R$ 19.548) e RJ (R$ 17.695). Ele destacou que o Distrito Federal concentra altos salários na administração pública no executivo, legislativo e judiciário. O Paraná tinha, em 2006, um PIB per capita de R$ 13.158 e ocupava a sétima posição.
Lorenço disse que há dois fatores que diminuíram a participação do Sul e Sudeste no PIB. Um deles foi o desenvolvimento dos setores de petróleo e da indústria de automóveis na Bahia. O outro foi o aumento da presença das indústrias de alimentos no Centro-Oeste como a Sadia e a Perdigão.
O recuo da participação do Sul de 0,6 ponto percentual ocorreu em função de três anos ruins para a agroindústria com problemas climáticos, febre aftosa, gripe aviária e queda de preços de alguns produtos no mercado internacional. A participação do Paraná no PIB caiu de 5,98% em 2002 para 5,77% em 2006. A pesquisa mostra ainda que Paraná e Santa Catarina tiveram recuperação no setor agropecuário de 5,7% e 3,2%, respectivamente, em 2006. No Paraná, o destaque foi a cana-de-açúcar (21,2%), cultura que teve expansão em 69 municípios, com a diminuição de área plantada de outras lavouras. Também houve altas na produção do feijão (47%) e do café (61%).
Por outro lado, o aumento de 0,4 ponto percentual na participação da Região Norte pode ser explicado pelo avanço da Zona Franca de Manaus e pelos investimentos realizados pela Vale do Rio Doce.
A concentração do PIB no Sul e Sudeste deve manter-se inalterada nos próximos anos. Lourenço prevê que o Norte pode sofrer com a queda nos preços dos minérios no mercado internacional. O Centro-Oeste e o Sul podem ser afetados pela queda nos preços dos produtos agrícolas, o que levaria a uma concentração do PIB no Sudeste.
Ele destacou ainda que São Paulo vinha perdendo participação no PIB. No entanto, esse cenário pode ser revertido porque o Estado entrou na guerra fiscal para a atração de indústrias do setor metal-mecânico, inclusive, com a conquista da fábrica da Toyota. Essa indústria tinha cogitado instalar-se no Paraná.


