Brasília Beneficiando-se do crescimento da produção e do cenário positivo para as exportações, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio deve fechar 2002 com crescimento de 5,99%. O PIB do setor deve atingir R$ 365,53 bilhões em 2002, frente aos R$ 344,95 bilhões do ano anterior. A projeção foi divulgada ontem pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que fez o levantamento em conjunto com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea). O PIB do agronegócio agrega os resultados da agricultura, pecuária, agroindústria e serviços.
A agricultura é o segmento que tem resultados mais positivos: de acordo com a CNA, deve fechar o ano com um PIB de R$ 61,84 bilhões, com alta de 13,38%. A pecuária também deve crescer, embora de forma mais modesta. A confederação estima que o PIB do segmento atingirá R$ 46,02 bilhões, com alta de 2,58%.
Dados consolidados da CNA no período de janeiro a outubro também mostram que o crescimento de 2002 é mais robusto do que o do mesmo período do ano passado. Em 2002, o agronegócio cresceu 5,96% nos primeiros dez meses do ano, contra 0,81% em 2001; a agricultura cresceu 13,38%, contra 4,08% em 2001; e a pecuária teve um aumento de PIB de 8,51%, contra 2,39% dos primeiros dez meses de 2001.
O chefe do Departamento de Economia da CNA, Getúlio Pernambuco, explicou que soja, arroz, feijão, laranja e cacau foram as culturas que mais contribuíram para o aumento do PIB da agricultura. No caso da soja, o resultado veio do crescimento da safra e a desvalorização cambial, que aumentou o preço em reais das exportações. Arroz e feijão também se beneficiaram do aumento de produção e da recomposição dos preços no mercado doméstico. O aumento da produção de laranja no Brasil ocorreu no mesmo momento em que uma seca reduziu a safra dos EUA, aumentando as exportações de suco de laranja nacional.
Balança Com exportações de US$ 19,248 bilhões e importações de US$ 3,978 bilhões, a balança comercial da agropecuária obteve um superávit de US$ 15,27 bilhões no período de janeiro a novembro de 2002. De acordo com o assessor do Departamento de Economia da CNA, Paulo Mustefaga, a agropecuária respondeu por 35% das exportações brasileiras e 9% das importações no período.
''O saldo é maior do que o da balança comercial brasileira, que foi de US$ 11,32 bilhões, o que mostra a importância da agropecuária para o equilíbrio das contas do País'', afirmou. A CNA estima que o setor feche 2002 com um saldo positivo de US$ 15,95 bilhões na balança, decorrente de US$ 20,3 bilhões de exportações e US$ 4,35 bilhões de importações.
A se confirmarem estas cifras, o superávit da agropecuária terá crescido 8,2% sobre o valor de 2001, quando o saldo foi de US$ 14,76 bilhões. A contribuição do complexo soja volta a ser decisiva para o resultado da balança. O setor obteve receita cambial de US$ 5,66 bilhões de janeiro a novembro, um aumento de 13,2% sobre 2001.

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