Brasília - O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio cresceu 0,45% em 2006 sobre 2005, de acordo com estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), divulgado ontem, em Brasília (DF). O PIB de todo o setor do ano passado atingiu R$ 540,06 bilhões, ante R$ 537,63 bilhões em 2005. O desempenho positivo foi garantido pelo setor industrial do agronegócio, com PIB crescendo 2,81%, especialmente pelas usinas de açúcar e de álcool.
O PIB da agropecuária, que avalia as riquezas do setor primário, apresentou uma queda de 2,12% em 2006 ante 2005, com uma redução de 0,26% na agricultura e 4,44% na pecuária. Em 2006, a soma das riquezas geradas pelos dois setores foi R$ 149,8 bilhões, contra R$ 153,04 bilhões em 2005.
Os dados da CNA/Cepea divergem dos levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou um crescimento de 3,2% no PIB agrícola brasileiro. De acordo com a CNA, a metodologia da entidade utilizou preços reais agrícolas e expressou a renda mensal do setor agropecuário de 2006. Já o IBGE utilizou preços constantes de 2005 e expressou a expansão ou retração do volume produzido.
Segundo a CNA e o Cepea/USP, o PIB da agricultura no ano passado foi de R$ 84,97 bilhões, pouco menos que os R$ 85,2 bilhões do ano anterior. Já o PIB da pecuária caiu de R$ 67,84 bilhões para R$ 64,82 bilhões se comparados iguais períodos. ''A queda na pecuária ocorreu pela redução nos preços, ao contrário do setor de insumos, cuja queda foi causada pelo menor uso de tecnologia pelo produtor descapitalizado'', afirmou o superintendente técnico da CNA, Ricardo Cotta. Já o PIB do setor de insumos caiu 2,68% em 2006.
Ainda de acordo com o estudo, o Valor Bruto da Produção, ou o faturamento em 2006, atingiu R$ 172,4 bilhões, 1,9% menor que o de 2005, de R$ 175,7 bilhões. Para 2007, a expectativa é de um crescimento de 10% no VBP, para R$ 189,3 bilhões. No entanto, segundo Cotta, apenas metade desse porcentual de aumento irá para o bolso do produtor, principalmente devido ao aumento dos custos dos insumos e às questões fitossanitárias que ampliam os gastos e reduzem a produtividade. ''Esse pouco que vai sobrar será insuficiente para o produtor pagar a dívida que carrega das safras anteriores'', disse Cotta.
O valor estimado pela CNA para as dívidas para vencer em 2007 é de R$ 20 bilhões, o correspondente, por exemplo, a 40% de todos os recursos públicos destinados à agricultura empresarial no Plano de Safra 2006/2007.

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