O Produto Interno Bruto (PIB) registrou aumento de 0,60% no terceiro trimestre de 2012 em relação ao segundo trimestre do ano, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio abaixo do piso das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções (de 0,90% a 1,40%). A mediana era de 1,20%.
Na comparação com o terceiro trimestre de 2011, o PIB apresentou alta de 0,90% em 2012, abaixo do piso das estimativas do AE Projeções, que variavam de 1,10% a 2,12%, com mediana de 1,90%. No ano, o PIB avançou 0,7%, na comparação com o mesmo período de 2011.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou que o crescimento do PIB foi puxado pelo setor agropecuário, que teve expansão de 2,5% na mesma base de comparação. ''Deveremos ter uma safra de grãos recorde neste ano e o desempenho do setor reflete bom resultado da produção industrial'', destacou.
Segundo Mantega, a produção industrial está em pleno processo de recuperação e a alta de 1,1% no terceiro trimestre ante os três meses anteriores seria melhor se não fosse a queda de 0,4% registrado pelo segmento extrativo mineral.
Para ele, a indústria de transformação ''está ganhando velocidade e vai continuar nessa trajetória'' nos próximos trimestres. O ministro destacou que o setor apresenta bom nível de recuperação, devido a medidas de estímulo adotadas pelo Poder Executivo, como as desonerações tributárias.
Mantega destacou que a indústria da construção civil também apresentou resultado positivo e está em plena retomada. ''A surpresa do terceiro trimestre foi o desempenho de serviços, que responde por mais de 60% do PIB'', comentou. O setor teve crescimento zero no trimestre. E isso, segundo ele, foi um reflexo da redução dos spreads das operações financeiras, o que levou os bancos a reduzirem as concessões de crédito.
Para Roberto Zurcher, economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o resultado apontado pelo IBGE mostra que as medidas tomadas pelo governo começam a surtir efeitos. ''A indústria começa a se recuperar da queda. Acreditamos que o desempenho será melhor nos próximos meses porque, quando se fala em indústria, as medidas governamentais demoram seis, nove meses para repercutirem'', ressalta.
Zurcher diz que a Fiep espera que o governo anuncie novos incentivos relacionados à diminuição da carga tributária para o setor produtivo. Segundo ele, o governo optou por fazer a reforma tributária a partir de medidas pontuais.
Já a economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Gilda Bozza, lembra que o setor se encontra num bom momento, com ''preços remuneradores''. ''A agricultura vem alavancando o PIB'', declara. Segundo ela, o crescimento do agronegócio tende a ser menor no último trimestre do ano em virtude de uma pequena redução nos preços das commodities de cerca de 3% e do próprio calendário do agronegócio, tradicionalmente menos aquecido de outubro a dezembro. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem PIB do 3º trimestre cresce 0,6% e frustra analistas
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