A economia brasileira desacelerou mais rápido do que o previsto. É isso o que revela o PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre deste ano, que cresceu apenas 0,79% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação ao primeiro trimestre, a taxa caiu 0,99%.
O crescimento de 0,79% é a menor expansão do PIB desde o terceiro trimestre de 1999, quando havia ficado em 0,49%. Já a taxa de -0,99%, é a primeira negativa desde o quarto trimestre de 1998 (-0,75%). No primeiro trimestre de 2001, o PIB havia crescido 4,28% na comparação com o ano passado.
O resultado contraria todas as previsões do mercado, que esperava, em média, crescimento de 3% na comparação com 2000. Também não confirma a expectativa de incremento de 3,7% do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), órgão do governo federal.
Segundo o IBGE, a indústria teve o maior impacto na retração do PIB. O setor cresceu somente 0,41% no trimestre ante o mesmo período de 2000, enquanto o de serviços expandiu-se 2,24% e o agropecuário (de menor peso), 0,18%.
Soma de todas as riquezas produzidas por todos os setores de atividade de um País em determinado período além da incidência de impostos , o PIB avançou 2,49% no semestre. No acumulado dos quatro últimos trimestres, que mostra como seria a taxa se o ano acabasse agora, o indicador subiu 3,55%.
''Os juros subiram. E a turbulência no câmbio cresceu. Além disso, acrescenta-se ao cenário negativo a questão do racionamento de energia. Esses fatores todos explicam a desaceleração. Mas temos de ver se a tendência negativa vai continuar'', disse Roberto Olinto, gerente de contas nacionais do IBGE.
Para ele, desde o início do ano a indústria dá sinais de enfraquecimento. Isso prova que não foi só o racionamento de energia iniciado em junho que afetou o setor.
Entre os ramos industriais mais atingidos, estão o automotivo e o eletroeletrônico, ambos sensíveis à alta dos juros por dependerem de vendas a prazo. Mas o racionamento também teve sua cota: afetou siderurgia, alumínio e laminados de aço, todos setores que dependem de grande quantidade de energia.
''Sabíamos que a produção industrial vinha retrocedendo. Mas ninguém esperava uma retração tão expressiva'', afirma o economista do Lloyds TSB, Wilson Ramião. O banco previa crescimento do PIB de 3,5% no trimestre. Para Ramião, o fato determinante da desaceleração econômica é a crise energética, pois corta linearmente a produção da indústria.
Olinto destaca ainda que a retração de alguns produtos agrícolas também ajudaram a desacelerar o crescimento da economia, como fumo, laranja e banana.
Eustáquio Reis, diretor do Ipea, se disse surpreso com o pequeno crescimento da agropecuária, pois o órgão vinha trabalhando com previsão de crescimento expressivo da safra neste ano. Reis disse ainda que a grande variação cambial fez subir o preço de alguns produtos levados em conta no cálculo do PIB.
O economista do BBV Banco, Luiz Afonso Lima, que previa crescimento de 3,3%, apontou a disparada do dólar como principal responsável pela desaceleração da economia. ''Foi a grande surpresa do trimestre.'' Para ele, a taxa de câmbio elevada aumenta os custos das empresas que têm insumos importados. Com isso, afirma, o empresário corta a produção, pois o rendimento do trabalhador está há meses estável e ele não consegue repassar os custos para os preços. ''Quando mais ele (empresário), vende, mais ele perde.''

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