PIB deverá fechar 2003 em 0,6%
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segunda-feira, 29 de setembro de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro Foi um ato falho. Entretido com a palestra que ministrava no Rio para 150 banqueiros e profissionais do mercado financeiro convidados do grupo Euromoney, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deixou escapar o que será a terceira revisão do governo para o Produto Interno Bruto (PIB), a ser divulgada ainda esta semana. ''Tem um número de 0,6% que estamos trabalhando'', mencionou, na apresentação.
Na terça-feira passada, o Ministério do Planejamento havia anunciado a segunda revisão do PIB, de 1,8% para 0,98%. No início do ano, o indicador era de 2,25%.
Mais reservado na entrevista coletiva que concedeu depois do evento, Meirelles não repetiu a projeção e tentou consertar. ''Esta é uma das possibilidades em análise'', desconversou. Mas, a inconfidência já estava feita. Apesar de o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, já haver anunciado sua revisão do PIB de 2003 para apenas 0,5%, nenhum representante do governo havia ainda admitido taxa de crescimento neste nível, que representa a estagnação econômica este ano.
A palestra de Meirelles teve o objetivo básico de ressaltar que o governo conseguiu administrar a crise de confiança, iniciada no ano passado. Segundo ele, os primeiros nove meses do governo já trazem resultados confiáveis e colocarão o Brasil na rota do crescimento sustentável, a partir do ano que vem. Ele admitiu que o ajuste foi conseguido por meio de queda no PIB, mas observou que países que vivenciaram ajustes semelhantes tiveram quedas de 7% a 15% do PIB, e o Brasil, apesar de tudo, ainda registrou pequeno crescimento. Previu, ainda, que em 2004 a economia crescerá acima de 3% e ''de forma sustentada''. A declaração do presidente do BC não chegou a surpreender o mercado.
''Eu diria que isso é apenas uma constatação, não uma surpresa'', disse o chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castello Branco. A própria CNI está preparando a sua revisão para o PIB deste ano, que até três meses atrás era de 1,5% e agora deve se situar ''mais próximo de 0,5%'', como adiantou Castello Branco.
''O recuo no primeiro semestre foi mais forte do que se imaginava e mesmo uma reação do consumo neste último trimestre, que deve ocorrer na esteira das medidas de relaxamento monetário, não será capaz de reverter este quadro'', afirma o economista.
Já o economista do Ibmec School e ex-diretor do Banco Central (BC) Carlos Thadeu de Freitas considera que mesmo com a projeção de 0,6%, o governo ''está superestimando'' o crescimento da economia este ano. ''Para mim, a realidade está mais próxima de 0,3%'', afirmou. Ele observou que a queda da taxa de juros real está mais lenta que o esperado. ''Além disso, houve quedas enormes na renda real do brasileiro, já registradas pelo IBGE. Acho que ele (Meirelles) foi até muito otimista'', afirmou.


