PIB deve cair 4% no primeiro semestre
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Agência Folha 
O PIB (Produto Interno Bruto), a soma de todas as riquezas produzidas no País, deverá cair 4% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 98. A previsão é do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão da Secretaria de Planejamento do governo federal, que já considera os efeitos da desvalorização do real na economia.
Segundo o coordenador do Ipea Paulo Mansur Levy, o instituto mantém a previsão do governo federal de redução do PIB de 2,5% a 3,0% - possivelmente pouco mais que 3% - para este ano. Para o primeiro trimestre, a queda prevista no PIB é de 3,1% em relação ao mesmo período do ano passado. No segundo trimestre, a projeção é de retração ainda maior: de 3,9%, em relação ao segundo trimestre de 98. A maior responsável pela retração da economia brasileira este ano continuará sendo a indústria.
De acordo com o Boletim Conjuntural do Ipea de janeiro, divulgado ontem, a indústria terá crescimento negativo de 6,6% neste trimestre, em relação ao mesmo período de 1998. Para o segundo trimestre, a expectativa é de queda de 6,8% no PIB industrial. Para o Ipea, a produção industrial deverá recuar 3,9% no primeiro trimestre. No segundo trimestre, o recuo da produção da indústria será ainda maior: 4,2%.
O único setor a registrar crescimento nos dois primeiros trimestres deste ano deverá ser o agropecuário. Segundo o Ipea, esse setor deverá crescer 2,1% e 3,2%, respectivamente, no primeiro e no segundo trimestre deste ano, sempre em relação ao mesmo período do ano passado. O motivo: a safra prevista para este ano deverá ser bem maior que a do ano passado. Da mesma forma que o Ipea prevê uma forte retração no primeiro semestre deste ano, espera também uma reação da economia no segundo semestre, mas não faz previsões numéricas.
Levy ressalta que a desvalorização do real, além de estimular os exportadores, deverá forçar a indústria brasileira a aumentar seu nível de nacionalização na produção, implicando novos investimentos e contratações. O Boletim Conjuntural do Ipea afirma também que o crescimento do PIB no ano passado deve ter ficado em apenas 0,2%, contrariando as expectativas mais pessimistas do governo federal no ano passado. A previsão do governo era de crescimento entre 0,5% e 1% no PIB em 1998.
O Ipea estima que a inflação fique em torno de um terço da valorização média do dólar. De acordo com os cálculos de Levy, o dólar deverá se estabilizar no patamar de R$ 1,57, o que corresponde a uma valorização total de 30%. Seguindo esse raciocínio, a inflação residual, em decorrência da valorização do dólar, deverá se situar entre 10% e 15%. Dois fatores deverão segurar a inflação este ano, segundo o Ipea. O primeiro é a recessão. O segundo é o crescimento da safra agrícola, que levará à queda nos preços dos alimentos.


