Sob impacto da contenção do crédito, câmbio valorizado, juros elevados e da consequente freada da indústria provocada pela soma destes fatores, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou expansão de modestos 0,8% no segundo trimestre deste ano na comparação livre de influências sazonais com o primeiro trimestre. Naquele período, a economia havia crescido a um ritmo mais acelerado (1,2%). O PIB representou, em valores correntes, R$ 1,021 trilhão. O fraco desempenho da indústria contribuiu para a desaceleração.
O economista Antonio Nogueira, professor de macroeconomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), considera a desacelaração de 0,4% do PIB pequena. Entretanto, ele comenta que o grande problema é a médio prazo, quando se avalia toda a instabilidade do quadro econômico internacional. ''O governo ainda está estudando o cenário internacional para começar a tomar alguns posionamentos'', explica ele, relembrando decisão do Copom de anteontem de reduzir a Taxa Selic em 0,5% (de 12,5% para 12%).
Em consonância com boa parte dos economistas, Nogueira acredita que o PIB deste ano deve fechar na casa dos 3,5%, menos da metade do que cresceu em 2010 (7,5%). ''É uma redução previsível. Existe, inclusive, uma projeção para a redução das exportações dos nossos produtos. A ideia do governo é tomar ações para, pelo menos, incrementar o mercado interno e fechar o PIB com um crescimento razoável.''
Para melhorar o quadro da política econômica nacional, o economista explica que o governo aposta na diminuição dos gastos públicos, juntamente com a queda dos juros. ''Assim é possível manter as rédeas da inflação. O crescimento de 3,5% ou 4% do PIB é baixo mas é aceitável, tendo em vista nossa política implementada, com uma das maiores taxas de juros do mundo'', relata Nogueira.
Em relação a necessidade do País em exportar commodities, o especialista diz que a grande procupação neste caso é o agravamento da crise internacional. ''Com a China tendo possíveis problemas com o comércio dos EUA e outros países da Europa, consequentemente vai sobrar para o Brasil, já que o País é um grande importador das nossas commodities. Por isso a importância de deixar o mercado interno aquecido, com o poder de compra da população elevado.''
Já para o setor industrial, a desacelaração no segundo trimestre é preocupante. Roberto Zurcher, economista da Federação das Indústrias do Estado Paraná (Fiep), explica que a indústria foi o segmento que mais sofreu com esta pequena evolução do PIB. ''A indústria de transformação não cresceu nada neste período. Como no primeiro trimestre temos Carnaval, geralmente o setor consegue crescer significativamente em cima disso, mas não aconteceu''.
Zurcher lembra que o setor vem sentindo o impacto por outros indicadores econômicos, como os da importação de bens de consumo, que vem subindo nos últimos cinco anos graças a valorização do real frente a outras moedas. ''Temos os maiores juros do mundo e o Custo Brasil extremamente elevado, o que torna nossos produtos pouco competitivos tanto lá fora como aqui no País''.
A indústria aposta agora suas fichas no terceiro trimestre, já preparando a produção para as vendas de final de ano. ''Tradicionalmente, deve haver um crescimento agora, porque se não houver, podemos fechar as portas. Agora, se não acontecer uma alteração no câmbio ou uma diminuição dos custos tributários para as indústrias, dificilmente seremos competitivos com os produtos importados. São ações importantes que devem ser feitas para reagirmos rapidamente.'' (Com Folhapress)

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