O valor do Produto Interno Bruto (PIB) nacional pela primeira vez ultrapassou a casa dos bilhões, chegando a R$ 1,089 trilhão, mostrando que a economia brasileira cresceu acima das expectativas no ano passado. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisou para cima o resultado do PIB de 2000, que apresentou elevação de 4,46%, superior portanto aos 4,2% divulgados pelo órgão há 45 dias. A notícia veio acompanhada de números inéditos e também positivos, como a renda per capita, que atingiu R$ 6.560,00, a maior desde 1994 (4,33%), quando foi lançado o Plano Real.
A renda per capita – que teve crescimento de 3,1% sobre o ano anterior, após dois anos de queda – é apenas a média aritmética do PIB total dividido por toda a população brasileira. Considerando que todos os 166 milhões de brasileiros trabalhassem e produzissem o mesmo volume de renda, ela equivaleria, no ano passado, a 3,5 salários mínimos por mês.
O valor divulgado do PIB per capita revela o crescimento da renda no País, segundo destaca o gerente de pesquisa do PIB do IBGE, Roberto Olinto. Em 1999, o resultado foi de R$ 5.860,00. Em 1994, o primeiro ano do real, o Produto Interno Bruto per capita atingia R$ 2.280,25.
Olinto ressalta, entretanto, que o dado é suficiente apenas para checar o desempenho geral da renda, e não a sua distribuição. Ele explicou também que o principal impacto na revisão do PIB nacional foi gerado pela arrecadação. Foram computadas novas informações dos impostos sobre produtos pagos no País no ano passado que demonstram que o governo arrecadou mais do que se supunha.
A renda referente aos impostos cresceu 6,8%, e não 6,26%, como consta na primeira divulgação do PIB. Todos os setores econômicos tiveram o desempenho revisado para cima: indústria (4,79% para 5,01%), agropecuária (2,9% para 3,02%) e serviços (3,61% para 3,85%).
Dentro de seis meses, estes valores serão novamente divulgados, já que sofrerão revisão permanente, conforme forem sendo consolidados os dados governamentais (prefeituras, administrações estaduais e União) até setembro. Olinto esclareceu que a revisão dos números ocorreu porque diversos dados contabilizados com base em projeções estão agora consolidados.
Esses dados referem-se a segmentos diversos e fundamentais no cálculo do PIB, tais como balança comercial, administração pública, instituições financeiras e índices de preços. ‘‘Há um reequilíbrio, com revisão dos índices’’, disse.

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