Santiago - A Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) prevê que a economia do subcontinente vai crescer 1,5% em 2003. A previsão anterior da própria Cepal era um crescimento de 1,5% a 2%. Em entrevista coletiva concedida em Santiago do Chile, o secretário-geral da comissão, José Antonio Ocampo, disse que a previsão de crescimento da America Latina foi rebaixada porque a recuperação da demanda nos Estados Unidos e na União Européia (UE) não aconteceu como se previa.
A previsão preliminar de crescimento para 2004 é de ''pelo menos 3%'', disse Ocampo. Ela se baseia em projeções de alta nos preços das commodities, uma recuperação leve no investimento estrangeiro direto e crescimento moderado nos países industrializados. Mesmo assim, o crescimento da economia latino-americana em 2004 deverá ficar abaixo da média de 5,5% ao ano verificada entre 1945 e 1980.
Segundo Ocampo, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá crescer 1,5% este ano. A mesma taxa de crescimento é prevista para o México. A Argentina deverá crescer 5,5%, mas seu PIB per capita deverá ficar 1,7% abaixo do de 1997. O Chile deverá crescer 2,5% e o PIB da Venezuela deverá encolher 13%. A inflação na América Latina deverá ficar em 8,6%, de 12,1% em 2002.
O secretário-geral da Cepal, entidade subordinada à Organização das Nações Unidas (ONU), criticou as demandas feitas pelos mercados aos governos brasileiros, o atual e os anteriores. ''Os mercados têm sido tremendamente injustos com o Brasil, sob o atual governo e sob os anteriores. Alcançar um superávit primário de 4% causaria uma crise em muitos países industrializados'', disse Ocampo, destacando o déficit orçamentário dos EUA e a dificuldade dos países da zona do euro em cumprir os acordos monetários da União Européia.

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