O crescimento médio do PIB de América Latina e Caribe deve recuar no ano que vem para 3,7%, ante uma elevação de 4% neste ano. Entre os maiores países da região, o Brasil deve apresentar um ‘‘leve’’ aumento do PIB, enquanto que o alta do PIB mexicano deve recuar para de 4,5%, taxa inferior a este ano (7%), sobretudo em razão da expectativa de desaceleração da economia norte-americana, com a qual o México tem forte ligação. A avaliação faz parte do Balanço Preliminar das Economias de América Latina e Caribe, divulgado ontem pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe).
De acordo com o estudo, apresentado por José Antonio Ocampo, secretário econômico da Comissão, as projeções levam em conta que a economia mundial continue relativamente dinâmica – apesar das previsões de menor crescimento na economia norte-americana – e que os fluxos de capital externo se mantenham nos atuais níveis.
O estudo mostra que a queda nas taxas de inflação e o incremento das exportações foram os principais responsáveis pela recuperação das economias latino-americanas e caribenhas. De acordo com o boletim, o PIB médio da região cresceu 4% neste ano, ante 0,3% em 1999 e 2,3% em 1998.
Ocampo destacou, entretanto, que as maiores taxas de crescimento não se refletiram nos mercados de trabalho, já que o desemprego médio da região se manteve em 9% e os salários praticamente não subiram. ‘‘Foi uma decepção’’, disse. A hipótese mais cogitada para a falta de impacto do crescimento econômico na geração de empregos é que as empresas mantiveram os esforços para elevar a produtividade, criando menos postos de trabalho. Outra explicação está no aumento da atividade concentrado em setores de uso intensivo de capital, não-exportador.
Na média regional, as exportações da região superaram as importações, empurrando a relação déficit em conta corrente/PIB para 2,5%, contra 3,1% no ano passado. ‘‘O impulso às exportações foi dado pelas altas taxas de crescimento internacional’’, destaca o trabalho. A elevação das vendas externas é ressaltado no relatório como de grande auxílio no financiamento do déficit em conta corrente, em conjunto com o ingresso de investimentos estrangeiros. Ainda na média, as exportações de bens e serviços cresceram 20% neste ano em valor, ao passo que as importações tiveram incremento de 17%.

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