PIB cresceu, mas renda do brasileiro caiu
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quarta-feira, 04 de outubro de 2000
Agência Estado Do Rio 
A economia brasileira cresceu 0,79% em 1999, de acordo com dados preliminares divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE). Segundo o órgão, o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no País, atingiu R$ 960,8 bilhões no ano passado. A renda per capita em 1999 foi de R$ 5.860,75, caindo 0,54% em termos reais.
Apesar da expansão de 0,79% da produção do País no ano passado, a população ficou 0,54% mais pobre, segundo o IBGE
Com a crise provocada pela desvalorização, o consumo pessoal caiu 1,02% e o investimento, 6,41%, reduzindo suas participações no PIB para, respectivamente, 61,8% e 20,4%. As exportações aumentaram 12% em volume e as importações caíram 14,80%.
Considerando-se, porém, o aumento dos preços em reais, por causa da desvalorização, ambas aumentaram como porcentual do PIB: as exportações saíram de 7,6% em 1998 para 10,6% em 99, e as importações saíram de 9,6% para 11,7%.
Os preços das exportações saltaram 30%, e o das importações, 50%, em 1999. As comunicações, puxadas principalmente pela telefonia móvel, cresceram 21,3% no ano passado.
O IBGE também divulgou, pela primeira vez, o valor nominal, em preços correntes, do PIB trimestral. O PIB foi de R$ 261,782 bilhões no segundo trimestre, e de R$ 503,968 bilhões no primeiro semestre. O PIB cresceu 3,56% no primeiro semestre de 2000, com expansão de 3,92% na agropecuária, 4,69% na indústria e 3,03% em serviços. No segundo trimestre de 2000, o crescimento foi de 3,42%.
A diferença dos dados acima em relação a números anteriormente divulgados pelo IBGE deve-se a revisões e ao fato de que o cálculo agora foi feito com preços de mercado, e anteriormente, com preços básicos. Na verdade, se a comparação for feita sempre com preços básicos, o crescimento do PIB no primeiro semestre de 2000 foi revisado de 3,84% para 3,60%.
Segundo o chefe do Departamento de Contas Nacionais do IBGE, Eduardo Nunes, o ano passado foi muito peculiar porque iniciou-se com uma desvalorização cambial, o que levou os analistas a projetar queda de 3,8% no PIB, um grande aumento da inflação o aparecimento de significativos superávits comerciais. No fim, nenhuma das três projeções foi confirmada, disse.


