PIB cresceu 1,5% em 2002, diz IBGE
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Rio O setor externo garantiu o crescimento da economia brasileira em 2002. O Produto Interno Bruto (PIB) do País aumentou 1,5% no ano passado na comparação com 2001, puxado pela significativa expansão das exportações e pela redução das importações. O crescimento, considerado bom em meio às turbulências do período, foi resultado também de uma base de comparação deprimida de 2001 e da recuperação gradual da economia a partir do terceiro trimestre.
Os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que enquanto as vendas externas alavancaram a produção industrial e evitaram a queda do PIB, a demanda interna permaneceu em queda e impediu um desempenho melhor da economia no ano passado. As exportações cresceram 7,8% e as importações (cuja queda contribui positivamente para o PIB) caíram 12,8%, ante 2001.
''O comércio externo teve uma contribuição importante para o crescimento do PIB'', disse o gerente do departamento de contas nacionais do IBGE, Roberto Olinto. ''Apesar de ter sido um ano ruim, 2002 registrou expansão da economia por causa do setor externo. Houve um ajuste bastante forte do setor externo, refletindo no PIB'', concordou o economista da Tendências Consultoria, Juan Jensen.
Era FHC - A média de crescimento anual do PIB brasileiro nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso (de janeiro de 1995 a dezembro de 2002) foi de 2,29%, segundo os dados divulgados ontem pelo IBGE. O PIB per capita cresceu anualmente 0,92%, em média, no período.
Entre 1995 e 1998, o PIB cresceu a uma média de 2,56% por ano, enquanto a renda per capita expandiu 0,92%. De 1998 ao ano passado, o crescimento médio anual do PIB foi de 2,01% e do PIB per capita, de 0,98%. Na média anual dos últimos dez anos (1993 a 2002) a expansão média anual do PIB atingiu 2,9% e do PIB per capita 1,49%.
No ano passado, o consumo das famílias, que permanece em queda há seis trimestres e cujo peso no PIB gira em torno de 60%, caiu 0,7%. Segundo avalia Olinto, ''o consumo não cresce porque está associado ao crédito e renda. Os juros em alta tornam o crédito difícil e a renda está baixa''. Jensen ressalta que se dependesse do mercado doméstico, a economia brasileira teria registrado queda em 2002.
Perspectivas - O desempenho da economia do País neste primeiro semestre será determinando basicamente pelo mesmo cenário do final do ano passado, segundo avalia Jensen. Segundo ele, a demanda interna deverá permanecer desaquecida no período, enquanto as exportações vão manter a trajetória de crescimento.
A estimativa da Tendências é que o PIB cresça 2% no acumulado deste ano, puxado pelas vendas externas no primeiro semestre e por um suave aquecimento da demanda interna nos últimos seis meses do ano.


