O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,02% no primeiro trimestre, em comparação com os últimos três meses de 1998, segundo divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, no entanto, houve uma queda de 0,99% do PIB de janeiro a março.
‘‘De janeiro para março houve uma mudança muito grande das condições econômicas’’, afirmou o chefe do Departamento de Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto, ao comentar o resultado, que contrariou a maioria das previsões pessimistas feitas após a desvalorização do real, em janeiro. A queda dos juros a partir de março e a contenção da inflação esperada com a desvalorização do real foram fatos que marcaram o comportamento da economia no início do ano, lembrou.
A comparação entre o último trimestre de 1998 e o primeiro trimestre deste ano mostrou desempenho positivo em todos os três setores da economia nacional, com destaque para a alta de 17,76% da agropecuária.
A indústria elevou em 0,11% sua produção, e o setor de serviços teve alta de 0,92%. Olinto afirmou que o crescimento da agropecuária foi registrado com a melhoria das perspectivas da atividade, após um ano de resultados negativos, por causa da seca no Nordeste e chuvas no Sul do País.
O economista também lembrou que o crescimento foi constatado após a queda do PIB por dois trimestres consecutivos. ‘‘Há um crescimento sobre uma base que já era baixa’’, explicou. O chefe do Departamento de Contas Nacionais acrescentou que o primeiro trimestre do ano tradicionalmente registra crescimento da produção, por causa da necessidade de reposição de estoques de produtos vendidos no Natal.
Segundo o economista, somente após ser medido o PIB do segundo trimestre vai ser possível saber qual a tendência da economia brasileira neste ano. ‘‘Com um aumento de 1,02%, é muito cedo para dizer que se reverteu a tendência de queda’’, avisou. Ele evitou evitou fazer previsões, ao lembrar que o resultado do PIB e o comportamento da inflação desmentiram projeções pessimistas feitas após a desvalorização do real, e mesmo previsões anteriores não se concretizaram.
‘‘Veja o comportamento da economia nos últimos quatro ou cinco meses - alguém acertou alguma coisa?’’, questionou. Olinto admitiu, no entanto, que há possibilidade de melhoria da atividade econômica graças ao bom desempenho da agricultura e à redução da taxa de juros, que beneficia a indústria.
Ele avisou, no entanto, que a melhoria depende ainda do controle dos gastos públicos. ‘‘A definição do déficit fiscal é um assunto ainda não resolvido’’, informou o economista, que lembrou que algumas medidas fundamentais do ajuste fiscal, como a volta da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), ainda nem entrou em vigor.
As quedas de 5,64% da indústria de transformação e de 4,80% da produtividade na construção foram as principais causas da redução de 0,99% do PIB do primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 1998. Nesta comparação, a queda de 4,55% do total da indústria neutralizou o crescimento de 9,22% da produção agropecuária. O setor de serviços ficou praticamente estável, com uma queda de apenas 0,2%.
O IBGE informou ainda que o PIB cresceu 16,73% nesta década. De 1990 até o primeiro semestre de 1994, antes do início do Plano Real, o crescimento foi de 9,67%. Do segundo semestre daquele ano até março, o aumento foi de 6 44%.

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