PIB crescerá com inflação baixa em 2005, prevê CNI
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2004
Denise Chrispim Marin<br>Agência Estado 
Brasília - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta crescimento econômico de 3,7% para 2005, que deverá fechar com queda da inflação e taxa de juros básica de 14% ao ano - uma redução de 3,75 ponto porcentual em relação ao atual nível da Selic. Nas projeções da CNI, a recuperação do consumo doméstico será o fator responsável por alavancar a elevação do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, assim como ocorreu no final de 2004, que encerra com uma expansão de 5% nas contas de sua Unidade de Política Econômica.
O setor industrial, entretanto, adverte que a situação mais favorável da economia em 2004 e 2005 não traz ainda um cenário de conforto. A CNI continua preocupada com os desafios do governo em levar adiante a agenda de reformas, sobretudo a tributária, e na elaboração de marcos regulatórios que tornem viáveis investimentos privados em infra-estrutura - o principal gargalo ao crescimento. O risco de desvalorização mais acentuada do dólar, em decorrência dos déficits externo e fiscal nos Estados Unidos, é o fator que tenderia a desmontar as previsões favoráveis.
''Tendo em vista a postura conservadora da área econômica do governo, acreditamos que 2005 será um ano de inflação em queda. Salvo se houver um choque externo, o que não é provável'', afirmou o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, ao comentar a previsão de variação de 6% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Como resultado de uma sondagem com os segmentos industriais, a CNI considera que a recuperação do consumo interno no País - beneficiada pelo aumento da renda provocada pela queda na inflação e pelo aumento de postos de trabalho - será acompanhada pela retomada do investimento privado. Conforme Monteiro Neto, a injeção de recursos na instalação de indústrias em 2004 foi 12,8% superior à do ano anterior e correspondeu a 20% do PIB. Em 2005, esses porcentuais deverão aumentar. A ampliação e a construção de fábricas têm ocorrido sobretudo nos segmentos que já trabalhavam no limite da capacidade, como o siderúrgico e o de celulose.
Nas projeções da CNI, as exportações continuarão a impulsionar o crescimento econômico, o que significará uma contribuição para a redução da vulnerabilidade externa no País. Em parte, em resposta à perspectiva de gradual desvalorização do real, prevista para R$ 3 por US$ 1. Mas as exportações terão uma expansão menos expressiva que em 2004. Se de janeiro a novembro deste ano os embarques foram 31,1% maiores que os de igual período de 2003, as vendas externas de 2005 deverão crescer apenas 8% - o que garantirá a superação da marca de US$ 100 bilhões no ano. As importações deverão alcançar US$ 71,7 bilhões, cerca de 30% mais que em 2004.
Nas contas públicas, a CNI prevê que a meta do governo de superávit primário de 4,25% do PIB para 2005 será cumprida sem problemas e a relação entre a dívida brasileira e o PIB deverá cair dos atuais 53% para 50% - projeções que reforçam a tese de redução da taxa de juros. Esse quadro fiscal deverá acentuar, ao longo do ano, as pressões do setor industrial por uma reforma tributária capaz de reduzir a carga sobre o setor produtivo.


