Rio de Janeiro - O Instituto do Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou de 4,6% para 5,2% a previsão da taxa de crescimento da economia brasileira para este ano, o que poderá ser o maior resultado desde 1994 (5,4%). As exportações deverão avançar 18,8% sobre 2003 e os investimentos, 12,3%. Com isso, a taxa de investimento sobre o Produto Interno Bruto (PIB) ficaria em 19,9%, a maior desde 1995 (20,5%) e igual à de 1997. Para 2005, a taxa projetada é ainda maior, 21,3%, o que será recorde para os últimos 14 anos, caso se confirme.
Segundo o diretor de Macroeconomia do Ipea, Paulo Levy, o expressivo crescimento dos investimentos se deve à ''confiança na economia'' e ao setor da construção civil e deverá se dar mais pelo aumento de capacidade instalada do que pela modernização fabril. A economista do instituto Mérida Herasme explicou que a maior taxa de investimento recente (26,9%) foi em 1989, mas que a comparação com este ano não é ideal porque o ano foi marcado pela hiperinflação e houve mudança de metodologia.
O forte desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre foi um dos principais motivos da revisão do Ipea para o PIB, a terceira consecutiva este ano. ''Houve um aumento espetacular (20,1%) dos investimentos no terceiro trimestre (sobre o mesmo período do ano passado). Prevíamos 11,8%. O resultado veio totalmente fora do que era imaginado três meses antes'', reconheceu o economista Fábio Giambiagi.
Ainda assim, o instituto pondera que para crescer 5% ao ano, nos próximos anos, a taxa de investimento deve ser maior, perto de 25%. Para o ano que vem, o instituto prevê um crescimento menor, de 3,8%. Na visão do instituto, as exportações contribuição menos para a avanço da economia (crescerão apenas 5,1%) e, em paralelo, as importações avançarão (13,8%) sobre 2004. A demanda doméstica dará, segundo os economistas do Ipea, uma contribuição maior para o crescimento em 2005.
Risco externo - O grupo de mercado de trabalho do Ipea estima que a taxa de desemprego em dezembro ficará em torno de 9,5%, abaixo dos 10,9% de 2003. Levy argumentou que a recuperação do rendimento e do emprego continuará no ano que vem. A massa salarial, exemplificou, já está crescendo em média 6% sobre o ano passado. Levy alertou, contudo, que os principais riscos em 2005 virão do cenário internacional, por conta dos déficits orçamentário e em conta corrente americanos e da perspectiva de desvalorização do dólar, além da trajetória da China e do petróleo.
Quanto à inflação, o Ipea projeta variação de preços ao consumidor de 7,4% para 2004 e de 5,6% para o ano que vem (pouco acima da meta ajustada, de 5,1%). ''A inflação preocupa um pouco'', afirmou. A redução da cotação do petróleo e a valorização do real, entretanto, podem ''contribuir para que a política monetária seja relaxada mais rapidamente''. Para o Ipea, a taxa Selic continua elevada no primeiro trimestre de 2005 e deve começar a cair a partir do segundo trimestre.

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