PIB cresce apenas 0,5% no 2º trimestre
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quinta-feira, 31 de agosto de 2006
Irany Tereza<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O ritmo de crescimento da economia caiu drasticamente no segundo trimestre do ano, com a elevação marginal de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas do País) em relação ao primeiro trimestre. É menos da metade do crescimento de 1,3% de janeiro a março. O acumulado em quatro trimestres não chega a 2%. ''Se o ano acabasse agora, o PIB teria crescido 1,7%'', explicou Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado intensificou as revisões para o desempenho econômico de 2006. As previsões mais pessimistas apontam para 2%, enquanto as mais otimistas passam pouco de 3%. Rebeca ressaltou que o resultado do segundo trimestre ''foi basicamente alavancado pela demanda doméstica''. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o saldo também foi fraco: aumento de 1,2%, menos da metade do que previa o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) há dois meses.
Ainda sob o aquecimento da oferta de crédito pessoal, o consumo das famílias aumentou 1,2%, na comparação com o primeiro trimestre. Foi o que garantiu a taxa levemente positiva do desempenho econômico de abril a junho. Em relação ao segundo trimestre de 2005, o consumo familiar cresceu 4%. Foi a 11 elevação consecutiva neste tipo de comparação. O saldo das operações de crédito para pessoas físicas, que já havia registrado aumento de 35,2% no primeiro trimestre, voltou a crescer fortemente no segundo, em termos nominais: 31,8%.
Em contrapartida, os dados confirmaram a queda da produção industrial (-0,3% em relação ao primeiro trimestre) e revelou uma sucessão de taxas negativas relevantes neste tipo de comparação: -2,2% no investimento (Formação Bruta de Capital Fixo - FBCF), -5,1% na exportação de bens e serviços, -0,1% nas importações. Os resultados positivos foram decimais: 0,8% na agropecuária, 0,6% nos serviços, 0,8% no consumo do governo.
Para esta comparação, os técnicos fazem a chamada dessazonalização, ou seja, eliminam estatisticamente características específicas de cada período que possam mascarar o saldo final. A curva de tendência, que traz a taxa anualizada, mostra de forma clara a desaceleração econômica nacional. ''Estamos vivendo uma tendência de queda. Em alguma hora a curva vai virar. A gente não sabe é quando'', comentou Rebeca, analisando o gráfico que ilustra a taxa acumulada de quatro trimestres contra os quatro anteriores, uma sucessão de altos e baixos desde1993.
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em relatório divulgado ontem, alerta que o 'stop and go' industrial mostra-se extremamente curto na presente etapa da economia brasileira'' e ressalta que os dados do PIB confirmam a estagnação industrial. O documento chama a atenção para o dado, à primeira vista contraditório, de o consumo interno não dar sinais de arrefecimento, a despeito da queda na produção nacional.


