PIB caiu 0,18% no terceiro trimestre
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O Produto Interno Bruto (PIB), que vem descrevendo uma curva descendente desde o início do ano, registrou o primeiro resultado negativo no trimestre de julho a setembro: 0,18%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Este ano deve terminar sem mais nenhuma surpresa, na avaliação dos técnicos do IBGE, com crescimento pouco acima de zero, no máximo de 0,5%, influenciado pelo pico de consumo de fim de ano. O acumulado até setembro foi de 0,02%.
Técnicos do IBGE prevêem crescimento máximo de 0,5% este ano. No acumulado em nove meses, expansão é de 0,02%
Com relação às drásticas expectativas do início do ano, o País poderá comemorar um empate com o desempenho de 98. O saldo, porém, confirmará dois anos de estagnação econômica. Do início do Plano Real, em junho de 94, a setembro deste ano, a economia cresceu 13,99%. O resultado do plano de estabilização até o terceiro trimestre de 97 quando a crise asiática deflagrou sérias reviravoltas na economia mundial era de elevação de 14% do PIB. Ou seja, houve perda, embora pequena, do avanço proporcionado pelo real.
O fraco desempenho dos últimos trimestres é reflexo direto do desaquecimento da indústria, cuja produção vem caindo sistematicamente. O setor, que tem peso de 33% na formação do PIB, não registrou nenhuma taxa positiva desde o terceiro trimestre do ano passado. Os últimos resultados, porém, mostram que o ritmo de queda está mais lento: -3,91 no primeiro trimestre; -3,56% no segundo e -3,03% no terceiro.
O grande determinante do PIB para este ano será a indústria de transformação, afirmou o chefe do Departamento de Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto. Como não há perspectiva de reversão no quadro, pelo menos no curtíssimo prazo, o PIB deve fechar o ano do jeito que está até agora. A indústria de transformação à qual se referiu é responsável pela produção de bens de consumo duráveis, que sofreu um baque com a queda no consumo, e de bens de capital, que fabrica maquinário para abastecer a própria indústria.
Este segmento é um dos que estão encontrando mais dificuldades na recuperação das perdas causadas pela desvalorização cambial. Mesmo assim, Olinto considera um bom resultado para 99 o PIB ficar situado acima de zero. O saldo não será negativo, o que é um resultado surpreendente se lembrarmos o início do ano, comentou, reconhecendo, contudo, que não há nenhum bom indicador este ano e também não deve haver nenhuma reviravolta, boa ou ruim, no quarto trimestre, período de aquecimento no consumo devido à entrada de recursos do 13º salário.





