Arquivo FolhaVariação mínimaRenda per capita dos brasileiros evoluirá de forma medíocre se projeção for confirmada, aumentando menos de 0,25% no ano em termos reaisRIO - O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro caiu 0,56% no primeiro trimestre em relação aos últimos três meses do ano passado, já descontados os fatores sazonais, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desde setembro a economia brasileira está parada, e não aquecida, evidenciam os resultados anunciados, pois no quarto trimestre, em confronto com o terceiro, o PIB cresceu somente 0,13%. O PIB, que é a soma dos bens, mercadorias e serviços produzidos no País, poderá expandir-se em apenas 1,5% em 97, metade da taxa registrada no ano passado, caso não haja melhoria no nível de consumo no País. A estimativa frustra as expectativas do governo, cujos integrantes prevêm geralmente 4%.
Caso a projeção de 1,5% se confirme, a renda per capita dos brasileiros, que vinha crescendo de maneira significativa há quatro anos, evoluirá de forma mediocre: como a população deverá crescer 1,27% este ano, o PIB per capita aumentará menos de 0,25%, em termos reais.
Nos dois primeiros meses do ano a massa salarial, que vinha tendo um bom desempenho após o real, cresceu somente 1% ante do mesmo período de 96. Além disso, elevou-se o grau de endividamento das famílias. Estes dois fatores, segundo o IBGE, foram os principais responsáveis pela desaceleração da economia.
Em relação ao primeiro trimestre de 1996, o PIB cresceu 4,21%. Trata-se, porém, de uma ilusão estatística, obtida graças à base de comparação deprimida, pois naquela época a economia estava sofrendo os efeitos das medidas de restrição ao consumo tomadas no ano anterior. No primeiro trimestre de 97, em relação ao quarto de 96, a indústria em geral teve uma queda de 1,18%, mais profunda na indústria de transformação (-1,97%), que, aliás, já vinha de uma virtual paralisação do crescimento no ano último trimestre de 96, quando evoluiu somente 0,48% sobre o trimestre imediatamente anterior.
O setor de serviços, em relação ao quarto trimestre, também ficou estável (0,06%) e o comércio teve uma retração de 2,39%. Até o setor de comunicações, extremamente resistente a reduções na atividade, caiu em 1,33%. O coordenador do PIB Trimestral do IBGE, Roberto Olinto Ramos, disse que o fato causou estranheza aos técnicos, que chegaram a fazer uma rechecagem dos dados. ‘‘Não temos ainda uma explicação para o que aconteceu com as comunicações’’, disse ele, lembrando que a última queda em um primeiro trimestre, já dessazonalidado, ocorreu em 92.
Segundo Roberto Ramos, para a economia crescer 1,5% este ano, no segundo semestre o PIB teria de ter uma expansão de aproximadamente 2%. Para isso, basta que as condições da economia, principalmente as condições de crédito, permaneçam como estão. Se o governo melhorar estas condições, reduzindo as taxas de juros, por exemplo, a economia poderá crescer 3%.

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