A atividade agropecuária teve queda de 5,2% em 2016, a primeira em três anos
A atividade agropecuária teve queda de 5,2% em 2016, a primeira em três anos | Foto: Ricardo Chicarelli



Em 2016, a economia paranaense encolheu 2,6%, com um PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 401,6 bilhões. O Estado permaneceu na quinta colocação entre os mais ricos do País, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, e Rio Grande do Sul. A queda é menor que a média nacional (-3,3%). E a participação do Paraná no bolo geral foi de 6,4%. Os números foram divulgados na sexta-feira (16) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Somente uma unidade da federação teve crescimento em 2016. Foi Roraima, no Norte, cujo PIB aumentou 0,2%. O Distrito Federal manteve estabilidade em relação a 2015. E os outros 25 Estados recuaram. Segundo a série histórica calculada pelo IBGE, os cinco mais ricos reuniam 64,4% do PIB nacional em 2016 contra 68,1% em 2002, o que revela um processo de desconcentração da riqueza no período. Nesses 14 anos, os Estados que mais cresceram proporcionalmente foram aqueles com PIB abaixo de R$ 42 bilhões (Tocantins, Roraima, Acre e Piauí). A exceção é Mato Grosso, que somou um PIB de R$ 123,8 bilhões em 2016 e apresentou o segundo maior crescimento (89,1%) desde 2002.

Na outra ponta, os três que menos cresceram de 2002 a 2016 são justamente os que estão em crise fiscal: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. O Paraná teve crescimento de 38,2%, uma média de 2,3% por ano.

Imagem ilustrativa da imagem PIB cai 2,6% em 2016, mas Paraná segue como 5ª economia



AGRO
Segundo o IBGE, pelo segundo ano consecutivo, houve queda na atividade comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (-6,7%), setor importante em todas as unidades da federação, que influenciou negativamente seus resultados. A atividade da agropecuária, que recuou em 2016 (-5,2%), primeira queda em três anos, foi também responsável pelas variações em volume negativas, principalmente nos estados em que a atividade é relevante, como o Paraná.

Os resultados de Roraima e Distrito Federal devem-se ao peso do setor governamental, que cresceu 3,3% e 0,6%, respectivamente, nessas unidades. As cinco maiores economias mantêm suas posições desde 2002, exceto em 2013, quando o Paraná ultrapassou o Rio Grande do Sul, mas voltou ao quinto lugar em 2014. Os dois Estados apresentam pequena diferença no tamanho de suas economias. O PIB gaúcho em 2016 era de R$ 408,6 bilhões contra R$ 401,6 bilhões do Paraná. A participação do Rio Grande do Sul no PIB nacional era de 6,5% em 2016 e a do Paraná, de 6,4%.

Em 2016, foram registradas alterações de posições relativas de participação no PIB em relação a 2015: a Bahia assumiu a 6ª posição, trocando com Santa Catarina, agora 7ª. O Ceará (11ª) trocou de posição com o Pará (12ª); Mato Grosso (13ª) com Espírito Santo (14ª); Mato Grosso do Sul (15ª) com Amazonas (16ª) e Rondônia (22ª) com Sergipe (23ª). Não houve mudanças entre as menores economias: Tocantins (24ª), Amapá (25ª), Acre (26ª) e Roraima (27ª).

Quando se trata de PIB per capita, a posição do Paraná piora. O quinto Estado mais rico tem o sétimo maior valor quando se divide a riqueza produzida pela população: R$ 35.726. No Rio Grande do Sul. o indicador soma R$ 36.206 (6º maior) e, em Santa Catarina, R$ 37.140 (5º maior). O maior PIB per capita nacional, o do Distrito Federal, é mais que o dobro do paranaense: R$ 79.099.

"O que pode se perceber é que as economias do Sul do País não têm variações de PIBs anuais muito diferentes do Brasil, seguem sempre mais ou menos alinhadas. A participação paranaense cresceu (de 5,9% para 6,4%), enquanto São Paulo diminui (de 34,9% para 32,5%), o que demonstra que as economias mais industrializadas sofreram no período", afirma o economista Ronaldo Antunes, presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina. "Os PIBs estaduais que mais cresceram foram impulsionados pela indústria da transformação. São Estados agrícolas que começaram a dar mais valores agregados aos produtos soja, carne e outros", complementa.

O delegado da Subsede Norte do Corecon (Conselho Regional de Economia), no Paraná, Marcos Rogério Gabriel, ressalta que o Paraná, assim como o Rio Grande do Sul, "perdeu um pouco do protagonismo", com a expansão da fronteira agrícola para o Centro-Oeste, "mas continuam muito importantes". Ele destaca que os governos do PT trataram de combater as desigualdades regionais do País. "Investiram mais no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, em detrimento do Sul e Sudeste", declara.

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