PIB cai 1,6% no segundo trimestre
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de agosto de 2003
Luiz André Ferreira<br>Agência Folha 
Rio A economia brasileira entrou tecnicamente em recessão no primeiro semestre de 2003. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas do país (PIB) teve uma queda de 1,6% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre deste ano. Em relação ao mesmo período do ano passado, o PIB apresentou queda de 1,4%. Ambos os resultados são piores do que o esperado. No mercado financeiro, a expectativa era de queda de 0,5% no segundo trimestre.
Para a maioria dos economistas brasileiros e estrangeiros, dois trimestres seguidos de retração no total de riquezas produzidas por um país configura um cenário de recessão. Na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e o último trimestre de 2002, o PIB havia tido queda de 0,6%. Apesar dos resultados, o IBGE afirma que não é correto deduzir que o País passe necessariamente por uma fase de recessão.
O coordenador de contas nacionais do IBGE, Roberto Olinto, justificou que não faz parte das atividades do instituto fazer essa análise. ''É um conceito complexo, de interpretação subjetiva, não é exato e estatístico, que são as bases de trabalho do IBGE'',
Mesmo sem querer tecer comentários sobre a recessão, o coordenador apresentou um relatório, feito pelo comitê que analisa o comportamento da economia dos Estados Unidos, onde é destacado que o fato de dois trimestres consecutivos de queda não significar necessariamente uma recessão. Pelo documento, essa análise engloba outros fatores, como declínio generalizado nas atividades econômicas, emprego, produção, renda e vendas.
Exportações No entanto, os dados apresentados pelo próprio IBGE mostram que a situação só não foi pior por causa das exportações de bens e serviços. Essas exportações ficaram 25,3% maiores no primeiro semestre de 2003 em comparação com o mesmo período do ano passado.
A última vez que o País enfrentou um quadro semelhante foi em 2001, com quedas sucessivas no segundo trimestre (-0,7%), terceiro trimestre (-0,6%) e quarto (-0,5%). Já na comparação entre um trimestre e o mesmo período do ano anterior, a queda registrada no período abril-junho (-1,4%) é a maior já registrada desde o quarto trimestre de 1998 (-2,1%).
No primeiro semestre de 2003 com relação ao mesmo período do ano anterior, o consumo das famílias caiu em 7,1% maior queda histórica desde que o IBGE começou a fazer a estimativa do PIB. Nessa mesma fase, os investimentos caíram em 9% e a construção, teve retração de 11%. No caso da construção, o setor apresentou estagnação na liberação de créditos, o que resultou na queda do emprego formal em 3,85% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2002. Assim como queda de 14,2% na renda da mão-de-obra do setor.


