PIB brasileiro cresceu 3,68% em 97
A economia brasileira, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), cresceu 3,68% no ano passado, portanto acima do apurado em 96 (2,76%), informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor do PIB chegou a R$ 866,08 bilhões, valor que, convertido pela taxa média de dólar do ano passado, equivaleu a US$ 804,08 bilhões. Usando o mesmo critério, a renda per capita brasileira em 97, de R$ 5.430,03, ficou em US$ 5.037,13. Com isso, em termos reais, a renda per capita dos brasileiros aumentou 2,28% ante 96, completando o quinto ano consecutivo de alta, em uma sequência positiva que não ocorria desde os anos 70 - o mesmo, aliás, se deu com o próprio PIB, também em expansão contínua há cinco anos.
O técnico do IBGE Roberto Olinto admitiu que, para 98, o PIB poderá ter crescimento entre zero (ou seja, estagnação) e 1%. Ele não quis tecer comentários sobre este intervalo de estimativa, que não é oficial do IBGE. Ele, porém, o considera razoável, frente aos problemas que o País está enfrentando por causa da crise externa.
Os dados divulgados ontem são, na prática, os definitivos para o ano. O IBGE vinha divulgando o PIB de 97 - em fevereiro, chegou a apontar expansão de 3,17% -, mas com dados muito preliminares. Os dados de agora somente devem ter uma revisão (praticamnete irrelevante) no início do ano que vem, como já é tradicional. Uma das boas notícias apresentadas pelos técnicos diz respeito à produtividade do trabalho, que foi de 4,57% no ano passado, a segunda melhor da década.
A mais elevada ocorreu em 96 (5,18%), por força do início do movimento de mais intenso de desemprego na economia. Para a indústria, a expansão da produtividade no ano passado chegou a 7,46% (6,75% em 96), a mais elevada durante os anos 90. Na indústria de transformação especificamente, a taxa alcançou 7,36%, a segunda melhor na década - perdeu apenas para os 8,10% registrados em 1993. Por segmentos, as instituições financeiras passaram por uma redução de 4,09% na produtividade - ou seja, as demissões não elevaram a produtividade -, ligeiramente menor que a apurada no ano precedente, de -4,93%.
Arquivo FolhaEnxugamentoInstituições financeiras: cortes não levaram à relação melhor entre produção e número de postosA maior redução de produtividade, ainda entre os segmentos, foi verificada pelo IBGE ma área de fabricação de aparelhos e equipamentos de material eletrônico, com -6,07%, em um claro reflexo da redução do crédito, que afetou a necessidade de produção no ano passado. Este segmento vinha, há três anos anos, apresentando enormes índices de ganho de produtividade: 26,33% em 93; 21,95% em 94; 11,11% em 95; e 17,28% em 96.
O segmento de fabricação de automóveis, caminhões e ônibus manteve a excelente performance que vem exibindo em toda a década: o ganho de produtividade atingiu 18,64% em 97, mantendo o brilhantismo da sua série histórica nos últimos anos - a produtividade no segmento elevou-se em 28,72% em 91; 7,69% em 92; 20,99% em 93; 10,06% em 94; 6,58% em 95; e 12,59% em 96. Entre os grandes setores, a agropecuária teve aumento de produtividade de 8,93% e serviços, de 0,59%, deixando claro que, nesta área, o ajuste de mão-de-obra ainda está por ser feito, conforme, aliás, já foi antecipado pelo ministro do Trabalho, Edward Amadeo.
Pelas contas do IBGE (que diferem das do Banco Central), o déficit em transações correntes no Brasil, no ano passado, foi de 4,5% da renda disponível bruta no País. Ou seja, do total da renda bruta disponível, de R$ 851,740 bilhões, equivalentes a US$ 790,1 bilhões, 4,5%, ou R$ 37,883 bilhões, equivalentes a US$ 35,1 bilhões, tiveram de vir do exterior, caso contrário o País não fecharia suas contas. A cada ano, a dependência do Brasil dos recursos estrangeiros está aumentando.
Desde 1991, somente em 92 o País conseguiu ter suas contas equilibradas e registrou uma sobra 0,9% da renda bruta disponível - em outras palavras, entraram recursos equivalentes a 0,9% da renda, mas não foi preciso usá-los para fechar as contas. Estes dados não podem ser confundidos com os do Banco Central, que expressam o déficit em transações correntes em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
Mas se as contas do IBGE também fossem relacionadas ao PIB, o déficit apresentado por este órgão superaria o do Banco Central, porque no BC entram apenas as operações que exigem emissão de câmbio, ao passo que o IBGE, em seus cálculos, leva em conta a importação de energia pela Hidrelétrica de Itaipú (na qual não há transação com dólares), o contrabando de eletrônicos, também entre as importações, e inclui nas exportações o contrabando, para fora do País, de pedras preciosas. Os valores relativos a estas despesas não são discrimidas.
Ainda conforme o IBGE, o consumo final do Brasil, no ano passado, somou R$ 705,341 bilhões, dos quais R$ 548,256 bilhões foram consumo das famílias (3,1% a mais que no ano precedente) e R$ 157,084 bilhões constituiu-se em consumo da administração pública, ou seja, do governo (2,2% acima de 96).O restante são principalmente investimentos, a chamada formação bruta de capital fixo, que cresceu 8,8% de um ano para o outro e representou 20,06% do PIB.Arquivo FolhaRacionalizaçãoIndústria automobilística: ganho de produtividade de 18,64% e confirmação de melhora desde 91Agência Estado





