Rio de Janeiro - A economia brasileira teve um crescimento de 4,2% nos primeiros seis meses deste ano, segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é maior taxa de crescimento econômico desde o primeiro semestre de 2000.
Apenas no segundo trimestre, houve crescimento de 1,5% em relação ao primeiro. O resultado reflete o bom momento da economia brasileira, com recordes nas exportações, retomada do consumo, da renda e do mercado de trabalho.
Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o crescimento apresentado é ainda maior: 5,7%. Trata-se do maior crescimento desde o terceiro trimestre de 1996. Isso por conta da fraca base de comparação, resultante do desempenho pífio visto no ano passado por conta dos juros altos e queda na renda do trabalhador.
Desafios - A recuperação da economia, no entanto, pode trazer dificuldades ao País, como, por exemplo, estimular a inflação. O IGP-M de agosto ficou em 1,22% e revelou pela primeira vez que o reaquecimento da economia está permitindo o aumento de preços, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Depois seguem os gargalos estruturais, como a falta de infra-estrutura de energia, saneamento e transportes; a alta carga tributária; e a necessidade de ampliação do parque industrial, que recebeu poucos investimentos desde as crises da Ásia (1997), da Rússia (1998), da desvalorização do real (1999), do apagão (2001), da Argentina (2001) e da desconfiança internacional na época da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2002).
Finalmente, será difícil manter os mesmos níveis de crescimento nos próximos trimestres pois a base de comparação tende a ficar desfavorável após os bons indicadores recentemente divulgados.
Emprego e renda - Os bons dados da economia já começam a ter reflexos no mercado de trabalho. O desemprego caiu pelo terceiro mês seguido, segundo o IBGE, e hoje representa 11,2% da População Economicamente Ativa (PEA). A queda teria sido causada pela antecipação das contratações da indústria para as encomendas de fim de ano.
Para o economista-chefe do Banco Schahin, Cristiano Oliveira, a taxa de desemprego deve encerrar o ano com apenas um dígito. Para ele, o pico no crescimento do consumo deve ocorrer apenas no terceiro trimestre. Isso porque a recuperação dos dados de emprego dão cada vez mais confiança ao consumidor e devem incentivar a ida às compras.
O crédito facilitado com parcelas de 10 a 12 prestações também estaria estimulando o crescimento, na opinião do estrategista da Global Invest Asset Management, Paulo Gomes. O impacto da redução da Selic em 10 pontos percentuais desde o ano passado teria chegado ao consumidor somente neste segundo trimestre. ''Essas reduções demoram de três a seis meses para serem percebidas pelo consumidor'', afirma.
Segundo Estevão Kopschit, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a receita de crescimento neste trimestre foi o avanço da indústria. ''Embora a metodologia de cálculo seja diferente, a pesquisa mensal da indústria do IBGE já indicava dados fortes deste setor'', diz. Em junho, a produção cresceu 13% na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo o IBGE.

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