PIB agrícola não cresceu, afirma CNA
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
José Maria Tomazela<br> Agência Estado 
Sorocaba - O superintendente técnico da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta, contestou ontem o crescimento de 3,2% no Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária apontado pelo IBGE. ''A agropecuária não cresceu, e sim perdeu 2% em 2006'', disse. Segundo ele, os cálculos utilizados pelo IBGE não levaram em consideração os preços correntes pagos em 2006, mas os preços constantes do ano anterior.
''Tivemos uma queda de 5% nos preços médios pagos ao produtor e os reflexos só não foram mais negativos porque a produção física no campo cresceu de 2% a 3%.'' Segundo ele, a queda de renda do produtor, afetado por uma sequência de safras ruins e de preços baixos, afetou o desempenho da agropecuária em 2006. ''Infelizmente, desta vez não contribuímos para o crescimento do PIB brasileiro.''
Para este ano, a expectativa é mais positiva. Ele prevê um crescimento de 5% na produção de grãos e de 3% na de leite, carne e ovos. ''Vamos ter uma safra recorde e tudo indica que os preços serão melhores.''
Para o pesquisador Geraldo Sant'Ana de Camargo Barros, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), da Universidade de São Paulo, o agronegócio continua ''salvando a lavoura'' da economia. A confirmação de um crescimento ''muito pequeno'' no PIB indica uma virada concreta do setor depois de um longo período no vermelho. ''Muito pequeno, é verdade, mas que insinua uma recuperação que pode se estender para o ano de 2007.''
O setor agrícola, segundo Barros, foi responsável pelo agronegócio ficar no azul, já que a pecuária continua em queda, embora um pouco menos acentuada. ''Dentro da porteira, a agricultura está reagindo, mas a pecuária não'', analisou. O presidente da Cooperativa Agroindustrial Cocamar, Luiz Lourenço, acredita que a contribuição do agronegócio para o PIB será mais significativa este ano. O ano passado, segundo ele, não teve nada de bom. ''A crise de 2005 persistiu e ainda persiste em algumas regiões. O dólar baixo atrapalhou bastante, mas a produtividade também caiu.''
Ele considerou ''horrorosos'' os dois primeiros trimestres do ano passado. Houve melhora a partir de julho, mas só sentida no final do ano. ''Agora, com a safra de verão sem problemas e os preços em recuperação, estamos animados.'' Lourenço acredita que os produtores terão condições de pagar as dívidas renegociadas em anos anteriores e renda para melhorar a produção. ''A demanda pelo biocombustível está criando uma estrutura nova no mercado e dá ao produtor a garantia de que haverá liquidez.''


