PIB agrícola ainda é o carro-chefe
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segunda-feira, 27 de julho de 1998
Vânia Casado 
O Produto Interno Bruto (PIB) agrícola revela que o setor agroindustrial ainda é o carro-chefe da economia paranaense. De um total de US$ 50,7 bilhões gerados pelo PIB no Estado em 1997, a participação do segmento agropecuário foi de 13,8%, com um faturamento de US$ 6,97 bilhões. Com a participação dos agronegócios gerados pela comercialização dos produtos primários, o PIB agrícola evoluiu para 35% do PIB total, avalia Gilmar Lourenço, técnico do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).
Ainda existe espaço para o PIB agrícola evoluir, desde que a agricultura brasileira fique independente de um aparato constitucional bastante desgastado como os planos de safra. O Ipardes revelou que os desestímulos ao setor têm sido responsáveis pela redução da área plantada em todo o País. Para se ter uma idéia, o Brasil deixou de plantar 5 milhões de hectares nos últimos dez anos, quase a área agricultável do Paraná. Para Gilmar Lourenço, só novos instrumentos vão incentivar o crescimento em renda e produtividade.
Segundo ele, o PIB agrícola do Paraná está estabilizado entre 13,8% e 14,1% desde 1994 e, na avaliação do Ipardes, mesmo com a transformação do perfil econômico do Estado, ainda existe espaço para a manutenção desse percentual de participação do PIB, inclusive com melhoria de renda do setor. Mas essa possibilidade só irá se concretizar se houver uma política agrícola de longo prazo, em substituição aos planos de safra divulgados todo ano, que não prevêem uma estratégia de crescimento do setor, explicou. Lourenço citou como exemplo o plano de produzir 100 milhões de toneladas de grãos a partir do ano 2000. Até agora esse plano é uma intenção e o governo não esclareceu quais os mecanismos que vai utilizar para atingir essa meta, disse.
Lourenço confirmou que a participação da agropecuária na formação do PIB começa a perder força, mas argumentou que o PIB agrícola do Paraná ainda está superior à participação do setor agropecuário no PIB nacional, que é de 11%. Em sua avaliação, a tendência da agricultura é perder peso na composição do PIB em favor dos setores industriais, de serviços e do comércio.
Para reverter essa tendência e preservar a renda agrícola, Lourenço apontou uma série de medidas que deveriam ser adotadas como a ampliação de crédito, orçamento para pesquisa dirigida à melhoria de produtividade na pequena propriedade, à exemplo do que ocorreu com o café adensado. E ainda o estabelecimento de preços mínimos compatíveis com a necessidade de elevar a renda dos produtores. Hoje quem está se mantendo no setor são os agricultores vinculados a culturas de exportação ou aqueles que têm propriedade bastante diversificada. As outras culturas dirigidas ao mercado interno não têm usufruído de preços compensadores e a renda no campo está caindo, inviabilizando a permanência dos pequenos produtores no meio rural, explicou.
Para o economista do Ipardes, o agricultor brasileiro ainda depende de um aparato constitucional. Em função dessa dependência, que não cria estímulos para plantar, o País deixou de plantar 5 milhões de hectares nos últimos dez anos
Outros fatores que influenciam para elevar as condições de comercialização da safra e, como consequência, a renda dos produtores, também devem ser priorizados pelo governo, apontou o técnico. A começar pela estrutura de transportes, armazenagem e dos custos portuários que ainda permanecem elevados, obstruindo o escoamento da safra.


