Philip Morris garante emprego só para 130
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 1999
Carmem Murara 
A Philip Morris do Brasil anunciou ontem que vai manter apenas 130 do total de 350 funcionários, que não aderiram ao plano de demissão voluntária, na fábrica de Curitiba. O grupo está com o emprego garantido até o final do primeiro semestre, quando deve se encerrar a transferência de todo o maquinário utilizado na produção de cigarros para a unidade de Santa Cruz do Sul (RS). Os demais funcionários poderão ser demitidos caso a Philip Morris não consiga viabilizar o projeto de mudança da fábrica de refrescos Tang de São Paulo para Curitiba.
A situação para os 200 funcionários que não foram escolhidos para fazer a retirada dos equipamentos da fábrica é complicada. Eles poderiam ter aderido ao plano de demissão voluntária, como fizeram outros 550 trabalhadores, mas optaram em se manter no emprego. A situação é complicada, mas queremos fazer tudo da maneira menos dolorosa possível, afirmou o diretor de assuntos corporativos da Philip Morris, Lúcio Mocsanyi.
A situação da empresa se tornou insustentável em outubro do ano passado, quando estourou a crise nas bolsas de valores da Rússia. Os russos cancelaram as importações de cigarros brasileiros, comprometendo 90% da atividade da Philip Morris. De 2 mil funcionários que a empresa tinha em outubro, hoje eles são cerca de 350, podendo se reduzir a 130.
A garantia do emprego depende do governo federal. A Philip Morris condiciona a manutenção dos investimentos, no País, a uma desregulamentação do setor de cigarros. Hoje, a carga de impostos e a proibição de criar faixas alternativas para o consumo impedem que a empresa ganhe mercado sobre a líder absoluta de vendas, a Souza Cruz. O diretor da Philip Morris disse que a empresa espera para o fim do mês uma definição do governo quanto à flexibilização das regras de comercialização de cigarros.


