A empresa Philip Morris do Brasil S.A. demitiu ontem 800 funcionários que trabalhavam na fábrica da Cidade Industrial de Curitiba. O corte, que atinge 40% do quadro de pessoal, é o maior em toda a história da companhia que está instalada há 25 anos na capital paranaense. O enxugamento foi a última alternativa que a diretoria encontrou frente a redução drástica no volume de exportações para a Rússia e países do Leste Europeu e Oriente Médio.
Cerca de 90% de toda a produção de cigarros era exportada, mas após a crise nas Bolsas de Valores da Rússia houve o cancelamento dos pedidos, o que provocou uma queda de 60% no volume de cigarros exportados. No primeiro semestre, a Philip Morris vendeu em cigarros US$ 175 milhões, enquanto o segundo semestre vai fechar com US$ 85 milhões. A estimativa feita em janeiro, era vender 43 bilhões de cigarros, mas até dezembro devem ser vendidos 36 bilhões de unidades.
O anúncio da demissão foi feito pelo vice-presidente da Philip Morris, Clodoaldo Celentano, e pelo diretor de Manufatura, Aidir Parisi. Logo pela manhã, eles reuniram os 800 trabalhadores e avisaram que a empresa passava por uma das piores crises desde a fundação. Diante do clima de emoção dos funcionários, a diretoria decidiu suspender o trabalho ontem e hoje e todos foram dispensados. ‘‘Enfrentamos um momento mau que foge ao nosso controle, mas este é um fato da vida’’, disse Celentano.
Após a dispensa dos funcionários, Celentano e Parisi foram comunicar o fato ao prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, e ao secretário da Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra. Taniguchi disse que pretende oferecer aos demitidos ajuda da Fundação de Ação Social, que poderia criar um curso de preparação para encaminhá-los a outros empregos.
O vice-presidente da Philip Morris ressaltou que não havia condições de adotar medidas mais amenas, que pudessem manter os empregos, pois não há perspectiva de melhora no mercado internacional a médio prazo. As férias coletivas e banco de horas só funcionariam se as vendas voltassem ao normal dentro de alguns meses. ‘‘Ou era o braço todo ou era um pedaço da mão. Não havia jeito’’, comparou Celentano, ao justificar a atitude da empresa.
O corte de pessoal na fábrica acontece após o grupo ter investido US$ 100 milhões, entre 94 e 97, para expandir a linha de produção. ‘‘Fizemos investimentos para modernizar e dobrar a capacidade de produzir cigarros’’, afirmou o diretor de Manufatura. A diretoria chegou a cogitar o fechamento da fábrica curitibana.
Na segunda unidade industrial da Philip Morris, em Santa Cruz (Rio Grande do Sul), onde trabalham 2,2 mil funcionários, não haverá demissão pelo fato de a empresa produzir só para o mercado nacional. Mas a Philip Morris adotou o banco de horas e antecipou férias de funcionários.

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