PF vai controlar contrabando de gado
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Mariangela Heredia Agência Estado 
O ministro da Agricultura, Francisco Turra, anunciou ontem, em Brasília, durante encontro do Fórum Nacional de Secretários de Agricultura, que está acionando a Polícia Federal para combater o contrabando de gado no País, principalmente nas regiões próximas ao município de Naviraí, em Mato Grosso do Sul, onde apareceram os primeiros focos da doença, três semanas atrás. A falta de cuidado, segundo o ministro Turra, pode colocar em risco todo o programa nacional de erradicação da febre aftosa. Os prejuízos seriam incalculáveis e o País perderia um grande espaço no mercado externo de difícil recuperação.
Segundo Turra, apesar de ainda não estar constatado que o foco da doença recentemente detectado em Mato Grosso do Sul surgiu a partir da entrada ilegal de gado do Paraguai e da Bolívia, todas as indicações são nesse sentido. Ele disse que um esforço do governo e da iniciativa privada vem fazendo há 30 anos com gasto de US$ 1,2 bilhão não pode, de repente, ficar ameaçado pela irresponsabilidade de alguns. O ministro solicitou aos governos do Estado mais empenho no sentido de impor as condições de restrições pois essas medidas seriam do próprio interesse de cada Estado. O ministro não teme represálias dos países vizinhos porque o Brasil está com um bom nível de sanidade e tem registrado poucos casos de aftosa nos Estados Centrais, enquanto nos Estados do Sul a doença está controlada.
O secretário de Agricultura de São Paulo, João Carlos Meirelles, considerou a decissão do ministro de pedir ajuda à Polícia Federal fundamental para que o País não seja exposto a esse risco, depois de um esforço de tantos anos para erradicar a aftosa. Ele lembrou que os seis Estados mais o Distrito Federal que compõem o circuito Centro-Oeste e já estavam há 34 meses sem febre aftosa estão com toda a infra-estrutura voltada para medidas rígidas de controle e vigilância que não podem ser comprometidas pela entrada ilegal de gado.
Segundo Meirelles, o reconhecimento desses Estados como área livre de aftosa pela Organização Internacional de Epizootias deverá liberar as exportações num rebanho de 95 milhões de cabeças e, sem dúvida, isso terá um impacto no mercado mundial de carne.
O ministro da Agricultura disse que os três Estados do Sul e o Estado de São Paulo têm mostrado preocupação e responsabilidade técnica, controlando com eficácia a doença. Mas alguns técnicos presentes disseram que o Estado de Minas Gerais quase cometera uma imprudência. Minas - em ritmo de Itamar - demorou muito nas medidas preventivas, o que poderia comprometer os esforços dos demais Estados para evitar o alastramento do vírus.
Amanhã, no ministério da Agricultura, haverá reunião do Fórum Nacional de Pecuária de Corte para fazer uma análise do que ocorreu em Mato Grosso do Sul. Ele reiterou que é preciso combater o contrabando para impedir que o rebanho brasileiro seja ameaçado, já que nos dois países vizinhos não há nenhum cuidado com vacinação, e que o ministério não tem como fiscalizar a fronteira.


