Curitiba - Cinco pessoas foram presas, no Paraná - uma em Curitiba e quatro em Foz do Iguaçu, na operação Bola de Fogo, desencadeada, na manhã de ontem, pela Polícia Federal (PF). Segundo informações da Superintendência da PF em Mato Grosso do Sul, que coordenou a operação, o objetivo das ações foi o de desarticular uma organização criminosa responsável pelo comércio clandestino de cigarros no Brasil.
O cumprimento de 116 mandados judiciais de prisão e 135 de busca e apreensão aconteceu, simultaneamente, em onze estados - Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Goiás, Rio Grande do Norte, Pará, Mato Grosso, Maranhão, Ceará e Rio de Janeiro. A operação envolveu cerca de 750 policiais federais e funcionários da Receita Federal. Entre os presos estão empresários, contrabandistas, ''laranjas'', servidores públicos, inclusive, policiais federais e fiscais da Receita, além de advogados suspeitos de envolvimento na compra de sentenças judiciais.
O delegado da Superintendência da PF em Curitiba, Omar Gabriel Haj Mussi, disse que, no Paraná, havia um braço da quadrilha que revendia cigarros falsificados, mas as investigações se originaram no Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Quatro mandados de prisão deveriam ser cumpridos em Curitiba, mas três das pessoas indiciadas estavam fora do Estado. Elas acabaram sendo presas no estado vizinho de Mato Grosso do Sul. Ainda, em Curitiba, foram apreendidos vários documentos, dois veículos e duas barras de ouro. Dos sete mandados de prisão em Foz do Iguaçu, quatro foram cumpridos.
De acordo com a PF de Mato Grosso do Sul, as investigações apontaram a existência de um grande esquema de falsificação envolvendo fábricas de cigarros no Brasil e no Paraguai, além de grupos que realizavam a distribuição do produto em todo o território nacional. Durante os últimos dois anos, a PF apreendeu mais de 23 mil caixas de cigarros pertencentes ao grupo, avaliadas em aproximadamente R$ 13 milhões.
A PF do Rio Grande do Sul informou que o contrabando, oriundo do Paraguai, ingressava por via rodoviária no Brasil, principalmente pelas fronteiras do Paraná e Mato Grosso do Sul, passando por Santa Catarina até chegar ao Rio Grande do Sul. A quadrilha também utilizava rotas de contrabando que passavam pela Argentina, entrando no estado pela região das Missões.
Os presos serão indiciados pelos crimes de contrabando, descaminho, sonegação fiscal, corrupção ativa e passiva, exploração de prestígio, falsidade ideológica, evasão de divisas, lavagem e ocultação de ativos ilícitos.
A suspeita da PF é que essa organização criminosa tenha substituído Roberto Eleutério da Silva, o Lobão, no comércio ilegal de cigarros. Lobão foi preso, em setembro de 2003, acusado de ser o maior contrabandista de cigarros do Brasil.

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