PF cumpre mandados em Londrina e Foz
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quarta-feira, 15 de junho de 2005
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
No Paraná, a Operação Cevada da Polícia Federal cumpriu mandados de busca e prisão em duas cidade do interior. Em Andirá (36 km a oeste de Jacarezinho) foram apreendidos documentos bancários, notas fiscais e um computador na sede de uma cooperativa agropecuária. O gerente da unidade prestou depoimento e em entrevista à Folha argumentou que a empresa teria sido ''usada'' pela Schincariol.
De acordo com o delegado regional da PF, Sandro Roberto Viana dos Santos, os documentos apreendidos demonstrariam que a cooperativa teria vendido quatro toneladas de uma matéria-prima que é empregada na produção de cerveja ''gritz cervejeiro'' ''para uma empresa que só existia no papel'', com sede em Natal.
Na verdade, segundo a PF, o produto foi destinado à fábrica da Schincariol no interior de São Paulo. Caminhões da cervejaria com placas frias teriam feito o transporte da carga. ''As notas seguiam para Natal apenas para serem carimbadas porque essa venda foi feita diretamente à Schin'', apontou o delegado. Com o esquema, a cervejaria paulista fugia da alíquota de 12% de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para outra de apenas 7%.
Há seis meses, a Receita Federal realizou uma auditoria na unidade da cooperativa e aplicou uma multa de aproximadamente R$ 1,7 milhão. Conforme o delegado Santos, a empresa conseguiu um abatimento de 50% e pagou a dívida em cheque. No entanto, segundo o delegado, o pagamento da multa teria sido dividido entre a cooperativa e a Schin. A cervejaria teria usado uma empresa de fertilizantes de Paranaguá para fazer o reembolso do dinheiro à cooperativa. ''Conseguimos apreender documentação que comprova essa operação'', garantiu o delegado. O material e equipamento apreendidos serão enviado hoje para o Rio de Janeiro, onde o gerente e diretores da cooperativa poderão ser indiciados no inquérito que investiga os supostos crimes cometidos pelo grupo Schincariol.
Em Foz do Iguaçu, a PF prendeu o dono de uma exportadora e distribuidora de bebidas. Ele seria um dos principais responsáveis pelo esquema de sonegação fiscal na fronteira. Aa investigações da Operação Cevada revelaram ainda que a empresa vendia os produtos da Schin com um preço abaixo da tabela de 20% a 30% para receber a diferença por fora, fugindo de uma parcela da carga tributária. A distribuidora funcionava na Vila Portes, região próxima à Ponte da Amizade. No local, os agentes da PF apreenderam vários blocos de nota fiscal e uma grande quantidade de cervejas e refrigerantes, cujo prazo de validade estava vencido ou adulterado. Segundo a PF, a exportadora utilizava carimbos para remarcar a validade das bebidas.
Uma segunda empresa de Foz também estaria envolvida no esquema de exportação fictícia de mercadorias. Os produtos, que oficialmente seriam enviados para fora do País, eram comercializados com restaurantes e hotéis da cidade.


