PF apura falsificação de títulos federais
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Valmir Denardin 
A Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu está investigando a possível existência de uma quadrilha internacional de falsificação de títulos da dívida pública brasileira. A suspeita foi reforçada com a prisão, anteontem, no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, de um homem que tentava embarcar para São Paulo, com 48 apólices supostamente falsificadas.
Supostamente emitidas pelo governo brasileiro em 1902 - com valor impresso de um conto de réis e taxa de juro estipulada de 5% ao ano -, os títulos apreendidos estariam valendo hoje aproximadamente R$ 11,6 milhões, segundo atualização feita pela Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu.
A apreensão foi feita por técnicos da Receita Federal e ocorreu durante fiscalização de bagagem de rotina no aeroporto. Os títulos estavam em uma maleta que era transportada por um homem que tentava embarcar para São Paulo. Ele levava também uma bolsa com roupas, objetos de uso pessoal e produtos comprados em Ciudad del Este, no Paraguai. A Polícia Federal não divulgou o nome do preso.
Segundo a delegada da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Maria Angélica Toledo Castro, na mesma maleta estavam outras 12 apólices - oito aparentando serem cópias coloridas e quatro que seriam fotocópias. Quando iríamos fazer os procedimentos para enviar os títulos ao Banco Central, percebemos que havia até três papéis com a mesma numeração, o que comprova a falsificação. Aí, remetemos o material à Polícia Federal, afirmou Maria Angélica. As normas do Banco Central determinam a apreensão de valores acima de R$ 10 mil não declarados pelo portador.
De acordo com o delegado da Polícia Federal Eudes Carneiro, o homem preso teria viajado de avião de Assunção até Ciudad del Este - na fronteira com Foz do Iguaçu -, cruzado a Ponte da Amizade a pé ou de carro. Por causa disso, o órgão acredita que a suposta quadrilha de falsificação de títulos tenha ramificações no Paraguai. Carneiro disse ter certeza de que os papéis são falsificados.
Emitidos pelo governo brasileiro, os títulos da dívida pública podem ser resgatados a qualquer tempo. Geralmente esses papéis são utilizados no pagamento de dívidas com impostos ou no resgate de bens penhorados ou hipotecados.


