Warren NabucoOs descartáveis são imbatíveisO consumidor brasileiro revolucionou a indústria de refrigerantes e, por tabela, a de cervejas. Em tempo recorde, trocou o vasilhame retornável por latas e Pets de todos os tamanhos. Acabou virando as fábricas do avesso. Cambé é a prova disso.
De dois anos para cá, a produção da Coca-Cola no município, envazada tradicionalmente, foi caindo, caindo, até se estancar. O consumidor não quer mais o vidro. Já é mania.
Gerente regional da Coca-Cola em Cambé, Jair Bobato conta que os fabricantes brasileiros colocaram a embalagem descartável no mercado por conveniência, ou seja, queriam seguir a tendência mundial e dar ao consumidor a opção de um produto próprio para consumo em viagens, festas.
A aceitação, porém, extrapolou o eventual e avançou para o terreno doméstico. ‘‘Ninguém esperava isso em tão curto espaço de tempo’’, afirma o gerente.
Nos Estados Unidos, diz ele, a comercialização dos refrigerantes descartáveis atingiu 60% do mercado no prazo de dez anos. No Brasil não foram nem três anos para o índice passar de 60%.
O curioso é que o consumidor paga por uma embalagem que joga fora e não reclama. Na padaria, a Coca litro em vidro custa R$ 1,00. A de 600 ml, em plástico, R$ 1,00. A de 290 ml, em vidro, R$ 0,60.
Com a reviravolta no mercado nacional, a fábrica de Cambé passou a ser mais uma distribuidora do Grupo Spaipa (Coca-Cola/Kaiser/Heineken) no País. Desativou suas máquinas e demitiu funcionários em fevereiro.
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação registrou 31 demissões na área de produção, dia 21. ‘‘São os maquinistas que não conseguimos encaixar em outras funções ou unidades do grupo’’, afirma Bobato.
Hoje a distribuidora diz que tem 310 empregados. Para o sindicato, são 131 ligados à entidade e ‘‘outros grupos’’ do setor de transportes e em serviços terceirizados. ‘‘Agora estamos tentando recolocar esse pessoal (demitido) no mercado de trabalho, em empresas da região’’, adianta o presidente do sindicato, Francisco Carlos Ferreira.
Com o custo da dispensa de pessoal, também veio o custo da manutenção das máquinas. São equipamentos que, por via das dúvidas, terão alguma utilidade para a empresa. ‘‘É muito complicado enfrentar uma mudança dessa’’, observa o gerente regional da Coca-Cola.
‘‘Se eu fosse produzir hoje (em vidro) para atender a demanda, seriam 50 ou 60 mil caixas de refrigerantes por mês.’’ O mesmo que 10% da capacidade de produção que por anos a fio foi de 500 mil caixas/mês.
Fazer a reconversão na fábrica - para Pet -, nem pensar. Diretor de Marketing do Grupo Spaipa em Curitiba, Rinaldo Dalaqua diz que o processo ‘‘é muito caro.’’ E nem sempre necessário, por uma simples razão: a embalagem descartável não retorna para a fábrica, então não é preciso ter várias fábricas, em diferentes regiões, para abastecer o mercado. ‘‘Hoje, valorizamos muito os pontos de distribuição.’’
O Paraná está bem servido. O grupo já tem unidades de produção descartável em Curitiba (lata), Ponta Grossa (Coca, 2 litros), Marília (Coca e sabores), Cascavel (sabores, 2 litros) e Maringá (sabores, 600 ml).

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