Curitiba - Há quatro anos, quando a Prevent, distribuidora de produtos veterinários que atua no Paraná, decidiu ampliar sua atuação, antes restrita à avicultura, para atender o setor dos animais de estimação, ela tinha cadastradas cerca de 250 pet shops. Hoje, dos 1.070 clientes atendidos pela empresa, 1 mil são na área pet. Isso não significa que todos que aderiram à verdadeira febre de novas lojas, sentida há dois anos, deram-se bem. Quem vive o mercado das pets garante que só sobreviveram aqueles que souberam se adequar às novas necessidades do setor.
É o que faz Fábio Hideki Assaki, que há quase três anos comprou a Pet Show, no Bairro Mercês, em Curitiba. ''Eu tenho procurado me diferenciar do mercado'', diz ele, que há sete meses abriu uma filial dentro do Supermercado Angeloni. Diferenciar-se nesse mercado exige um investimento alto. Assaki calcula que para abrir uma loja de porte médio, equipada com setor de corte e tosa e consultório veterinário, são necessários entre R$ 50 mil a R$ 100 mil. ''Fora o estoque'', ressalta.
Neste item, os interessados em investir na área pet têm muito o que pesquisar. A começar pelas rações, de inúmeras marcas e patamares de qualidade. Há rações light para cães que precisam perder peso ou têm tendência a engordar, específicas para cada idade, peso e tamanho, além de diferentes sabores. O preço de um pacote de 15 quilos de ração pode oscilar entre R$ 130,00 para a linha Super Premium até R$ 25,00. ''O que as diferencia é o nível de digestabilidade'', explica Ari Caldeira de Almeida, um dos sócios da distribuidora Prevent.
Segundo ele, 80% dos componentes das rações de nível superior são aproveitados pelo animal e só 20% são transformados em excremento. Os números se invertem nas rações inferiores. ''Como a maioria vive dentro de casa, tem que ter uma nutrição perfeita, para fazer poucas fezes e sem cheiro.'' Com isso, a relação custo-benefício cai bastante. Um cão que comeria 400 gramas de ração Premium vai precisar de 800 gramas de uma ração de qualidade intermediária para satisfazer sua necessidade diária.
Os líderes de vendas da Prevent continuam sendo as rações e o ''Front Line'', um produto de controle de pulgas e carrapatos, responsáveis por 75% das vendas. Mas há uma gama de produtos, como os ossinhos de couro, petiscos, chocolates e até refrigerante que cada vez mais fazem parte da vida dos bichinhos de estimação. ''A variedade de produtos aumentou muito e o mercado pet aumenta 20% ao ano'', diz Almeida. Para ele, essa expansão do mercado é reflexo de mudanças comportamentais.
''O cão tem uma participação na vida familiar muito diferente de dez anos atrás. Ele saiu do quintal para viver dentro de casa, criando um grande valor afetivo do dono pelo cão. Estas pessoas compram coisas caras para agradar o bicho'', diz, contando que chegou a ver uma ''mulher comprar uma jóia de R$ 400,00 para seu cachorro sem pestanejar''. Para quem quer entrar no ramo, ele alerta que esses produtos, considerados dispensáveis por muitos, garantem uma grande lucratividade.
Para a limpeza, uma novidade é o banho a seco, um produto em spray que limpa sem precisar molhar o animal, ideal para ser usado no inverno ou quando é preciso dar um banho rápido. O pet shop Focinho & Cia, em Santa Felicidade, também tem uma máquina ''secadora de cães'', a primeira e única na cidade. Segundo Marcos Bobrik, sócio-gerente da loja, a máquina consome um terço da energia gasta com um um secador normal, pode secar até dois cães por vez e ainda estressa menos o cachorro.

mockup