Petros vende R$ 527 mi em ações da Petrobras
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quinta-feira, 09 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro Em menos de três anos e meio, a Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, já vendeu R$ 527 milhões em ações da patrocinadora. O desinvestimento faz parte de uma estratégia da Petros de reduzir sua exposição acionária na estatal, dando preferência a parcerias em financiamento de projetos. Com isso, livrou-se, no ano passado, do risco político da Petrobras, que sentiu os efeitos do pessimismo exagerado do mercado em relação à mudança de governo.
''Não foi uma estratégica política. As negociações com papéis da Petrobras são tratadas como quaisquer outras ações de mercado: quando há boa perspectiva, compra-se'', afirma o chefe da Assessoria de Planejamento de Investimentos da Petros, Frederico Sampaio.
Ele afirma que foi seguindo esta prática que o fundo ficou excessivamento exposto em ações da Petrobras na época da oferta pública que a empresa fez ao mercado. ''Entramos mais agressivamente, as ações dispararam como prevíamos e, quando chegou perto do que havia sido projetado, começamos a vender'', explicou.
A Petros administra hoje um patrimônio de cerca de R$ 17 bilhões, sendo 13% desse total em renda variável (R$ 2,21 bilhões). O montante vendido de papéis da Petrobras de agosto de 1999 até o último dia 6 corresponde a um quarto disso. As ações ON (ordinárias, ou seja, com direito a voto), que já representaram 533 milhões de papéis em carteira, têm hoje apenas uma participação marginal no portfólio do fundo, com 237 mil ações.
O analista Luiz Otávio Laydner, especialista na área de petróleo do Banco Pactual, acredita que a motivação de venda de ações da patrocinadora pela Petros foi mesmo apenas o risco operacional. ''Os papéis da Petrobras têm boa rentabilidade e o risco político da empresa já passou de seu pior momento, que foi no fim do ano passado. Hoje as perspectivas com relação à atuação do governo na empresa são bastante positivas'', diz o analista.
Sampaio confirma que a estratégia foi totalmente operacional e que a preferência por investimentos em projetos da Petrobrás em detrimento das aplicações em ações foi bem sucedida. A rentabilidade dos projetos, que tiveram um risco muito baixo, foi de 38% em média no ano passado.
Somente o investimento no campo de produção de Albacora, na Bacia de Campos, por exemplo, deu retorno de 40%. A venda das ações nos últimos meses foi, segundo ele, um excelente investimento. ''Tivemos um ano muito feliz na gestão de renda variável e nossa carteira alcançou um deslocamento de dez pontos em relação ao Ibovespa'', comemorou.


