Petroquímica, siderúrgica, papel e celulose crescem
O estudo do BNDES indica que o setor industrial brasileiro respondeu por 44% das intenções de investimentos registradas em 1997. Apesar da redução no anúncio de investimentos, que passou de US$ 58 bilhões em 1996 para US$ 54 bilhões no ano passado, a alteração na participação relativa dos diferentes segmentos revela um aumento na participação dos setores petroquímico, químico, siderúrgico, e de papel e celulose. A retomada desses investimentos é muito importante, porque permitirá a criação de bases para um desenvolvimento sustentado, afirma Denise Rodrigues, autora do trabalho.
A maioria dos anúncios de investimentos feitos nessas áreas em 1997 se referiam à expansão de capacidade do setor como um todo. Do total de anúncios de papel e celulose pesquisados, 80% referem-se à expansão da capacidade instalada, enquanto no petroquímico esse percentual foi de 81%, no químico de 90% e no siderúrgico 79%.
Praticamente todas as empresas da área de papel e celulose anunciaram investimentos em 1997, totalizando US$ 4,8 bilhões, o que corresponde a 8,9% do total de investimentos da indústria. Rodrigues lembra, contudo, que conforme um outro estudo realizado por técnicos do BNDES, para que a indústria nacional consiga abastecer o mercado interno de papel e manter sua participação no mercado mundial, são necessários investimentos de US$ 10 bilhões no setor até 2005.
A indústria de fármacos anunciou investimentos de US$ 1,6 bilhão em São Paulo e no Rio de Janeiro, no ano passado. Desse total, 79% referem-se a novas unidades: Glaxo Wellcome e Smithkline, no Rio de Janeiro; TRB Pharma, Campinas (SP); e Hoescht Marion Roussel, Em Suzano (SP). Já o setor de fertilizantes, apesar de fortemente importador e com capacidade instalada insuficiente, anunciou investimentos de US$ 116 milhões em 1997.
Os investimentos anunciados para o setor siderúrugico, conforme a pesquisa do BNDES, mantiveram-se praticamente no mesmo nível de 1996, mostrando um planejamento contínuo. No Programa de Modernização Tecnológica da Siderurgia há previsão de investimentos de US$ 6 bilhões entre 1996 e 2000. Este é um setor cuja balança comercial é amplamente superavitária, sendo o Brasil o segundo maior exportador de produtos siderúrgicos.
A economista alerta, contudo, que a melhoria da competitividade desse segmento depende de uma crescente automação, com a redução do número de etapas, além da substituição do uso de aço menos nobre por outro mais nobre. O objetivo é induzir a um menor consumo de toneladas e à diferenciação do produto, afirma.
A pesquisa indica que para o setor mecânico/metalúrgico, os anúncios de investimento decresceram em relação a 1996 mas ainda continuam significativos. Novas montadoras de automóveis e picapes (BMW, Fiat, Ford, General Motors, Hyundai, Mercedes Benz, Mitsubishi, Peugeot, Toyota e Chrysler) anunciaram investimentos de US$ 5,3 bilhões em 1997. O setor de autopeças, enquanto isso, anunciou US$ 2 bilhões em investimentos no ano passado.
Os dados do BNDES mostram ainda que houve desacelaração de investimentos no ano passado em relação a 1996 nos setores de alimentos, bebidas e fumo, eletroeletrônico e limpeza. Essa retração ocorreu, segundo Rodrigues, porque houve uma redução do consumo imediato, em função do aumento da inadimplência das pessoas físicas e do esvaziamento de uma demanda reprimida dos segmentos beneficiados pelo aumento de Renda gerado pelo Plano Real.
A desaceleração dos anúncios de investimentos previstos não ocorreu, no entanto, nos setores de couros e calçados. Esses segmentos vem se reestruturando gradativamente após o impacto causado pela abertura da economia. Esse ajuste competitivo implicou no fechamento de unidades produtivas do Sul e do Sudeste e na relocalização dessas unidades no Nordeste.
Em conjunto, os dois setores anunciaram investimentos superior a US$ 1 bilhão em 1997, a maioria em novas unidades industriais. No comércio, conforme o estudo, várias grandes cadeias de lojas anunciaram investimentos, totalizando US$ 3,6 bilhões, na maioria direcionados à expansão de redes.





