A economia brasileira saiu ilesa da contaminação argentina mas não tem antídoto suficiente (ninguém tem) contra algo mais virulento como o petróleo, vetor da crise no Oriente Médio. Como o dólar, o petróleo permeia as atividades macroeconômicas no mundo e não há agente que se atreve a remar contra. Cada país administra sua capacidade de absorção.
No caso brasileiro, o governo recorre ao instrumento de política monetária para amortizar o impacto de origem externa e, de quebra, conter a inflação, pelas vias de sempre, o engessameto da economia (que restringe o crédito, reduz a demanda de bens, gera desemprego). Este instrumento, de dupla função, são as taxas de juros básicos, o velho recurso de sempre.
Não chega a ser um sacrifício para a equipe econômica, como se pode ver. O Banco Central, que no início do ano chegou a flexibilizar um pouco a taxa Selic, em modestíssimos 0,25%, agora vai manter os juros no mesmo patamar fixado na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) na sua reunião de março, 18,5%. A próxima reunião do Copom, a de abril, não deve mexer na taxa de juros básicos, se é isto que o mercado quer saber. Dependendo do tiroteio na Palestina os juros podem até aumentar.
Que bom que existe uma variável externa para barrar a queda dos juros - deve estar pensando, aliviado, o presidente do Banco Central. Pelo menos assim o governo tem um bode expiatório real para manter (superficialmente) a inflação sob controle.
Mantida a trajetória tímida das taxas de juros, o governo não precisa se aventurar em promover o crescimento econômico. Afinal, para todos os efeitos, a recessão agora tem um vilão: o conflito no Oriente Médio, que criou a crise do petróleo; que obrigou a adoção de juros defensivos. Não considerar a produção interna de petróleo.
Agora todas as estimativas para IPCA, juros, crescimento do PIB e outros indicadores devem considerar o preço médio do barril do petróleo. E, com perdão da palavra, viva o acirrameto do conflito. A equipe econômica tem mais sorte do que juízo.
Ironia à parte, a verdade é que o governo estava perdendo o controle da inflação. Ano eleitoral, em março, antes mesmo do final do trimestre tradicionalmente recessivo, alguns setores já emitiam sinal de rompimento das metas previstas. Agora o governo tem com quem dividir a culpa pela recessão que se recusa a admitir.
Noite do AgronegócioEste é o nome do evento que as cooperativas Coceal, Confepar, Integrada, Valcoop e Cofecatu, promovem, no dia 10, às 20 horas, na Feira de Londrina, com palestra do presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski. O evento é uma oportunidade de contato entre os dirigentes das cooperativas, fornecedores, grandes clientes e a imprensa. O encontro é dirigido a um grupo seleto de empresários, imprensa, instituições e dirigentes das cooperativas. O presidente da Ocepar falará sobre o agronegócio cooperativo.

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