Rio de Ja­nei­ro - O pre­si­den­te da Em­pre­sa de Pes­qui­sa Ener­gé­ti­ca (EPE, vin­cu­la­da ao Mi­nis­té­rio das Mi­nas e Ener­gia), Mau­rí­cio Tol­mas­quim, diz que, man­ti­das as con­di­ções eco­nô­mi­cas ­atuais, não há es­pa­ço pa­ra que o pe­tró­leo do pré-sal ‘‘­suje’’ a ma­triz ener­gé­ti­ca bra­si­lei­ra. Se­gun­do ele, mes­mo com gran­de pro­du­ção, os de­ri­va­dos de pe­tró­leo con­ti­nua­rão per­den­do em com­pe­ti­ti­vi­da­de pa­ra eta­nol e hi­dre­lé­tri­cas. A me­nos, diz, que ‘‘uma po­lí­ti­ca ­populista’’ de­ci­da acha­tar os pre­ços dos de­ri­va­dos de pe­tró­leo. To­mals­quim deu a se­guin­te en­tre­vis­ta:

  O pré-sal dei­xa os bio­com­bus­tí­veis em se­gun­do pla­no?
  MAU­RÍ­CIO TOL­MAS­QUIM - A ma­triz ener­gé­ti­ca bra­si­lei­ra não vai fi­car me­nos re­no­vá­vel por con­ta do pré-sal. Na ­área elé­tri­ca, o ­óleo e o gás não têm com­pe­ti­ti­vi­da­de pa­ra des­lo­car hi­dre­lé­tri­cas. O Bra­sil só ­usou 1/3 de seu po­ten­cial e, ago­ra, com no­vos pro­ce­di­men­tos am­bien­tais, os pro­je­tos que es­ta­vam com di­fi­cul­da­des co­me­ça­ram a ­sair, que é o ca­so do Rio Ma­dei­ra e de Be­lo Mon­te. Na ­área de com­bus­tí­veis, o pe­tró­leo tam­bém não é amea­ça ao eta­nol, que é com­pe­ti­ti­vo com a ga­so­li­na, com pe­tró­leo até US$ 40 por bar­ril. Ho­je exis­te po­lí­ti­ca, que di­fi­cil­men­te vai ser mu­da­da, de vin­cu­la­ção do pre­ço da ga­so­li­na às co­ta­ções in­ter­na­cio­nais do pe­tró­leo. E não há ce­ná­rios que apon­tem o pe­tró­leo abai­xo dos US$ 40 por bar­ril. Com o car­ro bi­com­bus­tí­vel, os con­su­mi­do­res têm o po­der de es­co­lher en­tre ga­so­li­na e eta­nol. É o pre­ço que de­fi­ne.

  Mas on­de, en­tão, se­rá con­su­mi­do o pré-sal?
  No mer­ca­do in­ter­na­cio­nal. O ex­ce­den­te do ­óleo vai pa­ra ex­por­ta­ção. Vai ga­ran­tir uma ren­da ex­tra pa­ra o Bra­sil. Não vai des­lo­car com­bus­tí­vel na ma­triz bra­si­lei­ra. É cla­ro que, in­ter­na­men­te, pa­ra agre­gar va­lor, vai ser usa­do em re­fi­na­rias, pa­ra ex­por­ta­ção de pro­du­tos e não de ­óleo cru. E vai tam­bém pa­ra a pe­tro­quí­mi­ca. Mas mes­mo os pro­du­tos pe­tro­quí­mi­cos se­rão des­ti­na­dos ao mer­ca­do ex­ter­no.

  Co­mo ga­ran­tir que a po­lí­ti­ca de pre­ços e ­usos dos de­ri­va­dos se­rá man­ti­da?
  O ­maior ga­nho que o Bra­sil tem é pre­ci­fi­car os com­bus­tí­veis se­gun­do o mer­ca­do in­ter­na­cio­nal, o que ga­ran­te a com­pe­ti­ti­vi­da­de de fon­tes ­mais lim­pas. A úni­ca ma­nei­ra des­se pe­tró­leo do pré-sal en­trar no mer­ca­do in­ter­no é ter­mos uma po­lí­ti­ca po­pu­lis­ta de pre­ços mui­to bai­xos, o que não te­ria ló­gi­ca por­que se­ria uma per­da eco­nô­mi­ca mo­nu­men­tal. Is­so não vai ocor­rer. Is­so não é a po­lí­ti­ca que o ­País tem, e a gen­te não vai mu­dar is­so.

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