Os preços dos combustíveis continuarão altos por longo tempo apesar do aumento da produção que certamente será decidida no domingo em Viena pelos membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), estimaram ontem analistas em Washington.
Robert Ebel, diretor do programa Energia e Segurança Nacional, do instituto privado Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CEEI), advertiu que depois da reunião da Opep passarão pelo menos 60 dias antes que os produtos refinados do primeiro barril de petróleo adicional cheguem aos consumidores.
Destacou ainda que nem todos os exportadores poderão contribuir para o aumento da produção, já que a maioria está produzindo no limite ou muito próximo de sua capacidade máxima. ‘‘Tudo isso, muito provavelmente, quer dizer que os preços ao consumidor continuarão em níveis não muito diferentes de hoje’’, disse Ebel.
Anthony Cordesman, especialista em assuntos estratégicos, advertiu que os americanos ‘‘vão ter que apreender a viver com as partes mais altas dos vaivéns nos preços da energia’’, e antecipou que preços de 30 ou mais dólares por cada barril de petróleo serão cada vez mais comuns’’.
‘‘A globalização do desenvolvimento vai significar longos períodos durante os quais a produção a duras penas poderá satisfazer a demanda, e preços de 30 dólares ou mais por barril serão comuns’’, avaliou. Ainda que haja períodos de preços mais baixos, ‘‘ninguém pode planejar viver com preços baixos ou moderados como uma situação constante’’, enfatizou Cordesman.
Luis Giusti, ex-presidente da estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) e atualmente assessor do CEEI, disse que ‘‘é quase certo’’ que a Opep decidirá um aumento de produção no domingo, ‘‘mas a grande pergunta é como será distribuído o aumento’’ entre os membros do cartel.
‘‘Aparentemente, somente a Arábia Saudita tem um excedente de capacidade significativo, de cerca de 1.600.000 de barris diários’’, informou. Giusti, que enquanto esteve à frente da PDVSA defendeu a política de aumentar a produção, prognosticou que a oferta de petróleo aumentará significativamente a médio prazo, como resultado do atual boom de investimentos em exploração e perfuração. ‘‘Mas isso não será sentido no mercado até finais do ano 2001’’, estimou.
Analistas de Londres consultados sobre o assunto disseram que se a Opep decidir aumentar a produção em 700.000 barris diários, a queda do preço será muito pouco significativa. Se decidir aumentar sua produção, como o mercado espera, ‘‘os preços podem cair um pouco, mas não vão despencar’’, analisou Lawrence Eagles, da corretora da bolsa GNI. ‘‘E o barril a 25 dólares é totalmente improvável’’, concluiu.

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